A dor de preparar a lavoura
- Pedro Mendes
- 14 de jun.
- 3 min de leitura
O dia dos namorados. Uma oportunidade ótima para celebrar a união amorosa entre duas pessoas, casadas ou não, com gestos românticos, com carinho e com cuidado. Para alguns, no entanto, essa pode ser uma data marcada por uma frustração ou amargura (não exclusivamente, mas normalmente) por causa da ausência desse parceiro ou dessa parceira romântica. Confesso, meu irmão e minha irmã, que esse é meu caso: não que eu passe o dia dos namorados completamente desolado, mas eu estaria mentindo se dissesse que não sinto falta de alguém com quem, mais do que apenas compartilhar esse dia, ter alguém com quem compartilhar a minha vida.
Digo por mim, mas acho que, com alguma segurança, posso falar por outros de minha geração: atualmente, parece estar cada vez mais difícil de conhecer e se relacionar com outras pessoas e, por conseguinte, de encontrar aquele ou aquela namorado ou namorada da vida. Entendo que as razões que levam a isso sejam multifacetadas, contudo não adentrando no mérito de cada uma delas, posso dizer que a dificuldade em encontrar alguém me gera enorme ansiedade. Vejo os anos passando e nada mudar: sigo esperando que algum dia, em alguma circunstância, em algum lugar que desconheço vou, enfim, encontrar a pessoa. Na mesma medida, porém, sinto o medo agudo de talvez nunca encontrar, de ficar “sozinho” aumentar.
Eis então que por ocasião da proximidade do dia dos namorados (dois dias antes da redação deste texto) Deus me recordou, em um de meus devocionais, de uma palavra que se encontra no livro de Provérbios, capítulo 24, versículo 27: “Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta sua lavoura. Depois, constitua sua família.” (Tradução NVI 2023). O mundo hoje, de maneira aberta ou de maneira silenciosa, parece gritar para que façamos tudo com pressa, parece atiçar a ansiedade em nós de maneira deliberada; Deus pede para que terminemos nosso trabalho a céu aberto e deixemos pronta nossa lavoura. Acaso o trabalho a céu aberto é resolvido em um estalar de dedos?Acaso uma lavoura fica pronta da noite para o dia?
Meu querido e minha querida, dói. Eu sei que dói. Se você está em uma situação como a minha, sabia disso. Eu sei que dói, porque eu também sinto essa dor. A dor da espera. O medo de não saber quando vamos encontrar a pessoa ou até mesmo SE vamos encontrar a pessoa. Ainda assim, a Palavra é clara: atentemos para aquilo que é nosso trabalho neste momento, diante das circunstâncias em que nos encontramos.
Estar pronto para receber um par romântico, quanto mais receber uma família, não se trata de empreendimento simples. É preciso preparar com muito cuidado a “lavoura” de sua vida. Contudo, não tema. Porque você seguramente não estará sozinho nessa preparação, mas estará com o Senhor, que enxugará suas lágrimas quando a “lavoura” não der rendimentos; que irá te dar forças para manusear sua enxada, quando seus braços já não tiverem forças; que fará o Sol raiar depois de dias de chuva forte; que usará todas essas adversidades, todas as essas dores para te capacitar para os desafios do namoro e, eventualmente, para os desafios maiores ainda da família.
Portanto, agarre-se ao Senhor com todas as suas forças, confie no seu cuidado, na sua provisão, mas sobretudo confie que Ele é o maior interessado em seu bem-estar e que por isso você pode descansar na certeza de que, no tempo devido - e esse é um tempo que apenas Ele sabe - vai chegar o momento em que nosso trabalho a céu aberto estará terminado, nossa lavoura estará pronta e que, enfim, poderemos constituir família: uma família que terá como base o Senhor, e que será tanto para o amor entre os próprios membros, quanto para o amor deles ao Senhor.
Como também está escrito, Ele é El Ro'i, o Deus que vê (Gn 16.13) nossos sofrimentos, nossa dor, e ao mesmo tempo é Jeová Jireh, o Deus provedor (Gn 22.14), um Deus que conhece nossas necessidades melhor até do que nós próprios e que proverá no tempo e no modo que Ele entende ser melhor.
Oro para que eu e você, que ainda não encontramos nossa parceira ou parceiro para a vida, possamos nos agarrar ao Senhor e na sua palavra: focados em preparar nossas lavouras e confiar que Ele é o maior interessado em nosso bem-estar.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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