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A esperança na justiça divina

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 17 de mai.
  • 3 min de leitura

Com uma trajetória milenar, a lei humana sem dúvidas evoluiu de maneiras muito significativas - isso fica evidente quando que práticas cruéis como a escravidão, trabalho infantil, violência doméstica e tantas outras eram, até alguns séculos atrás, respaldadas pela maioria dos sistemas legais dos Estados em todo o mundo.

Ainda assim, por mais significativos que tenham sido os avanços, os limites e as rachaduras dos sistemas legais humanos são evidentes. Quantos casos já não vimos de condenações que sentenciaram pessoas inocentes? Ou quantos já não vimos de sentenças que inocentaram culpados, pessoas asquerosas? Tantos são os caminhos pelos quais os grupos mais favorecidos podem utilizar o sistema ao seu favor e tantas são as formas pelas quais o sistema pode condenar os mais fracos. Diante disso, o que podemos fazer? Qual caminho podemos trilhar?

Alguns tentam praticar justiça com as próprias mãos, de modo a tentar “corrigir” as falhas do sistema. Podemos ver em super-heróis famosos, como Homem-Aranha, Batman, Demolidor, esse tipo de resposta. Quando a lei é ineficaz para lidar com poderosos mal-intencionados, os punhos da justiça vêm a tona. O problema, meu irmão e minha irmã, é  que a realidade é muito distinta da ficção: a prática de vigilante traduzida no mundo real levaria a eventual destruição de todo sistema legal, nos conduzindo para algo como o estado de natureza hobbesiano, em que prevalece a justiça do mais forte.

Poderíamos, alternativamente, institucionalizar a lei divina judaico-cristã, com base nos “preceitos bíblicos” - afinal, a lei divina é perfeita, não é mesmo? De fato, muitos do meio cristão pensam que essa seria uma solução nada menos que miraculosa, pois lidaria não apenas com a criminalidade, mas os costumes e uma cultura que está cada vez mais “pervertida”. O problema, meu irmão e minha irmã, é que defensores de teses como essa ou são incapazes ou se recusam a enxergar, é que para que um sistema desse tipo funcionasse, teria de, inevitavelmente, ser gerenciado por humanos e humano nenhum seria capaz de implementar a Lei executando a perfeita justiça divina. Inevitavelmente, por isso, caminharíamos para um cenário distópico como retratado no livro/série do Conto da Aia, em que aqueles definidos como “verdadeiros” servos de Deus, “filhos de Jacó”, "cumpridores da lei divina", (por mais corruptos e hipócritas que sejam) são favorecidos, ao passo que todo aquele considerado “pecador” (por mais inocentes e vulneráveis que fossem) era condenado a uma vida miserável.

Meu irmão e minha irmã, entenda isso: não podemos jogar uma chave inglesa nas engrenagens do sistema legal e esperar que isso traga alguma melhora! Em outras palavras, não podemos acreditar que soluções violentas e radicais irão funcionar. Infelizmente, sei que isso pode desapontar a muitos, mas nosso trabalho precisa ser vagaroso e em duas frentes: primeiro, enquanto cristãos, o que podemos é denunciar injustiças e lutar, dentro dos limites do imperfeito sistema humano, para, eventualmente, atigir uma mudança. Deus já levantou grandes pessoas como Maria da Penha, Martin Luther King Jr., William Wilberforce, dentre tantos outros para liderar movimentos que tiveram efeito transformador na lei humana mundo afora.

Em segundo lugar, jamais podemos abdicar de nossa esperança na justiça divina. Por mais que vívamos em um mundo que corta nossos corações com tanta injustiça, com tantos maldosos poderosos manipulando o sistema ao seu favor e tantos fracos inocentes sendo massacrados por ele, a palavra de Deus é clara em dizer que “o Senhor repudia balanças desonestas”, mas “pesos iguais lhe dão prazer” (Pv 11.1).

O fato é que não sabemos quando Jesus retornará a nossa terra para executar a justiça divina, conforme está escrito, mas podemos ter a certeza de que, até sua volta, Ele moverá corações e mentes para avançar seu Reino na Terra e que, eventualmente, sem dúvida e sem falha, Ele próprio estará aqui para executar o julgamento com uma balança feita não de pesos distintos (de natureza política, preconceituosa ou de interesses), mas sim de pesos iguais. Portanto, como cristãos, lutemos não com armas, punhos ou com a intenção de fazer da Bíblia um manual legal e moral, mas sim prontos para denunciar injustiças e defender os mais fracos.


Oro para que nenhum de nós perca a esperança no agir de Deus e no cumprimento de sua justiça.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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JOÃO 13;34-35

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso, todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros."

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