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O ídolo do trabalho

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 7 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualmente, vivemos em uma sociedade que supervaloriza a produtividade individual. Com os avanços tecnológicos, se tornou muito simples para qualquer um transportar o trabalho para casa, através de celulares, computadores, dentre outros meios. Se não isso, com os custos de vida mais elevados, alguns são forçados a buscar múltiplos empregos para sustentar a si ou uma família.

É sintomático, portanto, que uma das primeiras perguntas que as pessoas façam uma à outra quando estão se conhecendo seja: “E o que você faz?” É também de se esperar que uma sociedade nesses moldes tenha níveis alarmantes de doenças mentais relacionadas a estresse de trabalho e cansaço. Em meio a essa realidade, o quão difícil pode ser se conectar de verdade com Deus?

Por favor não me entenda mal, meu irmão e minha irmã: o trabalho é parte importante de qualquer sociedade humana e, sem dúvida, é uma das formas que temos de louvar a Deus. No entanto, como praticamente qualquer outro tipo de atividade humana, quando feito em excesso termina por nos afastar do Senhor. O que, então, devemos fazer? Como podemos lidar com nossa realidade tão corrida, tão ocupada e prestar culto ao Senhor com todo nosso coração, nossa força e nosso entendimento (Mc 12.30-31)?

Embora situada em um contexto histórico significativamente diferente do que vivemos na atualidade, a Bíblia apresenta uma história que ilustra nossos dilemas: a ocasião, descrita no Evangelho de Lucas, em que Jesus e os discípulos visitaram o lar de Lázaro, onde naquela oportunidade estavam suas irmãs Marta e Maria. Enquanto a primeira, que parece ser uma representação bastante acurada do comportamento das sociedades atuais, estava ocupada com “muito serviço” (Lc 10.40), Maria estava “desocupada”, simplesmente entregue aos pés de Jesus e atenta aos seus ensinos.

Ora, Marta certamente seria digna de muita admiração aos olhos da “cultura da produtividade” que vivemos, quanto mais para aqueles que são cristãos, porque a razão de seu “muito serviço” advinha primordialmente de sua preocupação de deixar tudo o mais belo possível para sua ilustríssima visita: Jesus Cristo. Ao revés, provavelmente muitos de nós torceríamos o nariz para Maria, que deixou sua irmã desguarnecida num momento de necessidade apenas para, o quê?, ficar parada, simplesmente ouvindo e contemplando a Jesus?

Mas não é exatamente como Maria que nós, que nos dizemos cristãos, devemos ser, meu irmão e minha irmã? Não deve ser Jesus o mais importante para nós, mais do que qualquer outra pessoa, circunstância ou atividade? Sei como é difícil, quando estamos no meio de nossas rotinas de trabalho, parar e fazer como Maria. Alguns podem dizer que, nos moldes presentes dos dias de hoje, é impossível. No entanto, na medida em que agimos como Marta, chegamos ao ponto em que o trabalho termina por se tornar um fim em si mesmo, enquanto nossa vida, nosso tempo, se tornam meios para sustentá-lo.

Perceba, na fala de Marta, a troca de prioridades: “‘Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!’” (Lc 10.40b). O mais importante já não era a presença de Jesus, mas sim a conclusão do serviço. Entenda, meu querido e minha querida: na medida em que nos ocupamos de maneira excessiva, perdemos de vista aquilo que nos é mais caro, que é a presença de Deus. Por essa razão, Jesus responde a Marta: “‘Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada’” (Lc 10.41-42).

Um dia, nosso trabalho passará, nossas forças se acabarão e nosso tempo expirará, mas quando somos intencionais em estar presentes com o Senhor, ouvindo seus ensinos e dedicando toda nossa atenção e ser a Ele, escolhemos a boa parte, que nunca nos será tirada. Por isso, mesmo que não seja por muito tempo, mesmo que não estejamos na mesma condição de Maria, que certamente dispunha de mais tempo ocioso do que todos nós, aproveite os momentos vagos que porventura existam em seus dias ou, se não tiver, separe um momento e seja intencional em dedicar tempo ao Senhor, em cultivar uma relação com Ele, em estar presente diante d’Ele de corpo e alma, derramado aos Seus pés.

Firme em Jesus sua identidade, não no que você faz. E busque n’Ele o descanso para sua mente e para seu corpo.


Oro para que todos nós possamos ser mais intencionais em buscar Jesus, mesmo em meio às nossas atarefadas rotinas. Que nada, absolutamente nada, se torne maior do que nosso relacionamento com Jesus.


Amém!


Pedro Costa Mendes.

 
 
 

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JOÃO 13;34-35

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso, todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros."

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