Entregando as rédeas da vida
- Pedro Mendes
- 20 de abr.
- 2 min de leitura
Talvez uma das coisas das quais mais sejamos incentivados a fazer no mundo atual é viver a vida com nossas próprias forças, nossas próprias habilidades. O indivíduo precisa ser autossuficiente, capaz de sobreviver na competitiva realidade de mercado por seus próprios méritos, por suas próprias valências.
Essa perspectiva, no entanto, ignora algo central no ser humano: as limitações, as fraquezas. É inevitável que em algum momento em nossas vidas surja uma situação em que nossas forças por si mesmas não serão suficientes. Perante a isso, é bem possível que fiquemos bastante preocupados, angustiados, ansiosos - afinal, nos dias de hoje, ter o controle sobre tudo que está ao nosso redor é algo muito precioso.
Podemos, contudo, buscar uma alternativa a isso através da Bíblia, lendo, por exemplo, o salmo 131. O autor se declara como uma uma criança recém-amamentada por sua mãe perante ao Senhor (verso 3). Em outras palavras, na contramão do império do individualismo que especialmente a cultura ocidental busca incutir em todos nós, a palavra do Senhor nos estimula a confiar e depender d’Ele de tal qual um bebê recém-desmamado confia e depende de sua mãe.
É provável, que a princípio, abrir mão do “controle”, confiar algo além de nossas próprias habilidades, nos entregar a outro de tal maneira que sejamos como filhos com suas mães, possa ser algo bastante difícil de aceitar. Nos acostumamos tanto a ter “as rédeas de nossas próprias vidas” que abdicar disso, em um mundo que se tornou tão competitivo, tão agressivo, tão intransigente com os mais necessitados, parece ser profundamente assustador.
Na medida em que percebemos, porém, o incalculável fardo de viver tentando manter o controle de tudo em nossas vidas, confiando tão somente nas nossas próprias forças, nos vemos diante de duas opções: ou tentamos carregar esse peso e eventualmente sermos esmagados por ele ou confiamos em alguém que nos promete um jugo suave e um fardo leve durante a caminhada de nossas vidas (Mt 11.28-30) e que cuidará de nós como uma mãe cuida de um bebê recém-desmamado.
Frente a essas opções não pode haver dúvida: muito melhor é nos despirmos do orgulho de acreditarmos que podemos ter algum controle sobre a vida e descansarmos em Nosso Senhor, Jesus Cristo, seguros de que, nos momentos em que topamos com situações que testam nossos limites, seremos amparados por Alguém que nos ama incondicionalmente, que tem cuidado por nós e que, se for de Sua vontade, poderá fazer muito mais daquilo que imaginamos! Portanto, confiantes em Jesus, não precisaremos andar tentando resolver tudo sozinhos, temendo as incertezas que o futuro nos guarda, antes teremos alguém a quem podemos lançar nossas ansiedades, porque Ele tem cuidado de nós (1 Pd 5.7).
Oro para que todos nós possamos nos despir de nossos orgulhos da ilusão da autossuficiência e que possamos confiar todo nosso ser aos cuidados de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
Amém!
Pedro Costa Mendes

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