A invisível bondade
- Pedro Mendes
- 17 de nov. de 2024
- 3 min de leitura
Posso somente falar por mim, mas creio que cada um de nós, se não na maior parte de nossas vidas, em pelo menos algum momento, costuma fixar seu olhar naquilo que falta, que carece, que é escasso às nossas vidas. Ora, buscar aquilo que consideramos que falta para nós ou em nós é uma das principais forças que nos impele levarmos nossas vidas adiante. Se me falta dinheiro, vou buscar um emprego. Se me falta conhecimento, vou estudar. Se me falta força, vou malhar. E por aí vai.
O problema, meu irmão e minha irmã, é quando simplesmente direcionamos todos os nossos pensamos e energias naquilo que nos é escasso. Quando isso ocorre, nossa tendência é de se esquecer o mais importante, que é aquilo que já temos, já conquistamos e sofrermos simplesmente pelo que falta a nós ou em nós. De repente, aquilo que deveria ser um impulso para caminharmos para frente, se converte naquilo que nos paralisa. Era exatamente nessa situação em que se encontrava Noemi, personagem do livro de Rute.
Após ter deixado sua terra com sua família em busca de melhores condições de vida, Noemi perdeu, em sequência, seu marido e seus dois filhos em uma terra estrangeira. Naturalmente, estava arrasada. Tão arrasada, de fato, que se rebatizou: passou a se apresentar como “Mara”, cujo significado do hebraíco é “amargura” (Rt 1: 20a), em contraposição ao seu nome de nascença, cujo significado do hebraíco é “doçura”. Sua amargura, dizia, advinha de sua desgraça, que ela atribuía à ação de Deus (Rt 1:20b). Noemi, portanto, estava cega por sua amargura, incapaz de enxergar mesmo o menor dos feixes de luz em sua vida.
O que Noemi era incapaz de perceber, no entanto, é que a luz de Deus jamais deixou de brilhar pela sua vida. Apesar de toda desgraça que lhe abatera, que, deve-se ressaltar, foi causada por suas e as decisões de sua família (e não por Deus, como afirmou), a bondade de Deus persistia em seguí-la, na forma da nora de um de seus falecidos filhos: Rute.
Ainda que não tivesse quaisquer motivos para continuar com sua sogra, Rute, em uma emocionante e impactante declaração de fidelidade, se comprometou a abandonar toda sua vida passada, tudo o que conhecia até aquele momento, seu povo, seus deuses, para ficar com Noemi até o fim de seus dias (Rt 1: 16-17). Que não haja dúvida, meu irmão e minha irmã, Rute era a manifestação do amor e da fidelidade divinas na vida de Noemi, ainda que ela própria, cega por sua amargura, fosse incapaz de enxergar.
Eis aí a maravilha da graça e do amor de Deus, meu querido e minha querida: mesmo que eu e você não consigamos ou não queíramos enxergá-los, eles se faz presente em nossas vidas. Mas quando ativamente decidimos olhar para eles, eles tem um efeito transformador em nossas vidas - a graça e o amor de Deus resignificam as nossas vidas, assim como o amor e a fidelidade de Rute para com Noemi resiginficaram por completo a vida de sua sogra, ao se casar com Boaz e ter com ele um filho, um filho pela qual ela se encarregaria de criar (Rt 4:16), um filho que está na árvore genealógica de ninguém mais, ninguém menos do que nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
Oro para que quando você estiver sofrendo, você possa estar sensibilizado pelo Espírito Santo para ser capaz de enxergar a bondade de Deus em sua vida, por mais difícil e doloroso que possa ser para enxergar.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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