A responsabilidade em decidir
- Pedro Mendes
- 26 de jan. de 2025
- 3 min de leitura
Imagine-se em uma situação em que se está correndo contra o tempo para chegar ao trabalho, com grandes chances de atraso. Suponha ainda que, para chegar ao local de trabalho, se tenha de atravessar uma rua de alta velocidade, em horário de tráfego intenso, com poucos semáforos e faixas de pedestre ou passarelas esparsas uma entre a outra. Por mais que a possibilidade de atraso seja grande, o mais sensato parece ser buscar por uma faixa de pedestres ou passarela próxima para que se pudesse fazer a travessia segura, não? Muitas vezes, no entanto, por tamanha ansiedade e receio de se atrasar ao trabalho, preferimos nos arriscar e atravessar na pista de rolamento.
Há uma forte tendência, quando estamos com ansiosos em relação a algo, que tomemos decisões impulsivas que trazem consequências negativas não somente a nós, mas também àqueles que nos cercam. Reflita sobre o exemplo acima: será quando atravessamos uma pista de rolamento de alta velocidade, fora de faixa ou de passarela, para evitar o atraso no trabalho, pensamos no enorme risco de atropelamento? Pensamos nas consequências que essa decisão pode ter para nós se formos atropelados? Como isso afetaria nossos familiares? Como afetaria o condutor(a) do veículo e sua família?
No momento da impulsividade, perdemos a perspectiva do todo e centramos nosso foco meramente no objetivo corrente. Os fins - evitar o atraso no trabalho - passam a justificar os meios - fazer uma travessia perigosíssima. É precisamente ao fixarmos toda nossa visão do que está a frente e se esquecendo de olhar ao redor, que mais machucamos aqueles que estão próximos de nós; mas principalmente Àquele que mais merece nosso respeito e horna, Nosso Senhor, Nosso Deus. Afinal, em cenários como esses, colocamos, em primeiro plano, a nós mesmos, os nossos desejos, ao passo que posicionamos em um distante segundo plano não apenas o bem e o respeito aos outros, mas também a Deus.
Todos nós, meu irmão e minha irmã, somos propensos a tomar decisões impensadas em algum momento em nossas vidas. Vide o exemplo de Abraão, no livro de Gênesis, capítulo 16. Naquela ocasião, Abraão já havia recebido a promessa do Senhor de que geraria um filho e teria uma descdência tão numerosa quanto as estrelas (Gn. 15: 5). No entanto, conforme o tempo passava e Sara não lhe dava filho algum, até mesmo aquele que ficaria conhecido como “pai da fé” colocou em questão a promessa que havia recebido e traçou um plano que bsucava adiantar seu cumprimento: utilizar uma serva - Hagar - como cunbina para gerar um filho (Gn 16: 2). Ocorre, contudo, que em função dessa decisão, instaurou-se uma relação de inveja e inimizade entre Sara e Hagar.
Dominado pela ansiedade e o desejo de ter sua promessa cumprida a todos os custos, Abraão fechou seus olhos e seus ouvidos para tudo o seu redor e com suas ações não apenas faltou com paciência para com Deus, como também semeou uma discórdia que perduraria por muitos anos entre sua esposa e sua serva - isso, muito mais do que a impaciência, é motivo de profunda tristeza da parte do Senhor.
Portanto, meu irmão e minha irmã, jamais devemos permitir que nossas ansiedades sejam o parâmetro pelo qual tomamos as nossas decisões, pois também está escrito “Não é bom agir sem refletir; e o que se apressa com seus pés erra o caminho” (Pv. 19: 2). Antes, quando nos sentirmos ansiosos, devemos, em oração, lançar todas as nossas ansiedades sobre o colo do Pai, porque Ele tem cuidado de nós (1 Pd. 5: 7). Em troca, o Senhor nos auxiliará a recentralizar nossos pensamentos, nos dando sua paz, juntamente com toda sabedoria e discernimento que precisamos para decidir não apenas para o bem de nós mesmos, para o bem de todos aqueles que nos cercam.
Oro para que quando te ocorrer de tomar uma decisão apressada, você possa recorrer a Deus para limpar sua mente e receber tudo o que precisa para tomar a melhor das decisões.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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