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Novo ano, nova mente

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 4 de jan.
  • 3 min de leitura

Na carta de Lamentações do profeta Jeremias, está escrito: “Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se a cada manhã; grande é a tua fidelidade!” (Lm 3.22-23). Penso que a virada de ano representa isso em uma escala diferente: a cada ano, o Senhor renova suas misericórdias sobre nós. Colocado através destes termos, parece algo tão orgânico, tão natural, não é mesmo? Ano vai, ano vem, e as misericórdias do Senhor, graças ao seu grande amor, seguem conosco, se renovando a cada ciclo.

Mas isso parece ser uma verdade tão distante, por vezes - quanto mais quando a virada de ano ocorre no meio de uma semana, período em que nossas rotinas estão a todo vapor e as pendências do cotidiano se acumulam. Claro que há um respiro com os feriados e festas, mas todos temos a consciência de que nossos compromissos já batem à porta.

Em alguns momentos, por isso, mais parece que vivemos a cada dia as mesmas tormentas e desafios de sempre - a mesma escassez de tempo, de recursos, as mesmas dores (físicas ou mentais), o mesmo cansaço - do que de fato estamos experimentando as constamente renovadas misericórdias do Senhor. Em meio a isso, a virada de ano, que deveria ser um momento de esperança, expectativa, fica parecendo ter tão pouco significado… afinal, que diferença faz que vamos de um ano para o outro se as rotineiras tribulações são iminentes?

A questão, meu irmão e minha irmã, é que se atravessarmos de um ano ao outro com esse tipo de pensamento, de fato nada irá mudar - vamos estar erguendo muros que não apenas nos fazem ficar estagnados, lamentando o que passou e sofrendo em anticipação pelo que virá, mas que também nos privam de experimentar o novo que o Senhor nos promete: “Vejam, estou fazendo uma coisa nova! Ela já está surgindo! Vocês não o percebem? Até no deserto vou abrir um caminho e riachos no ermo.” (Is 43.19).

Talvez estejamos em nossos desertos pessoais, cansados, desgastados, com muita sede e oprimidos pelo castigante sol, mas o Senhor nos promete, nos assegura renovo! Da nossa parte, cabe estarmos plenamente rendidos a Ele, dispostos a mudar nossas perspectivas, afinal: “(...) ninguém põe vinho novo em vasilhasde couro velhas; se o fizer, o vinho rebentou as vasilhas, e tanto o vinho quanto as vasilhas se estregarão. Pelo contrário, põe-se vinho novo em vasilhas de couro novas.” (Mc 2.22).

É preciso que derrubemos nossas barreiras e nos despirmos do odre velho e desgastado que estivemos vestindo pelos últimos 365 dias, para que possamos nos revestir do odre novo e receber o vinho, o derramamento de alegrias que o Senhor tem para nós para que, dessa maneira, possamos enxergar o caminho e os riachos mesmo em meio ao ermo que vivemos!

O ano virou e, sem dúvida, nossas rotinas, nossos compromissos, nossas lutas, seguem. Em alguns casos, talvez até se intensifiquem. Mas o Senhor segue conosco, renovando as Suas misericódias sobre nós e nos assegurando renovo mesmo em meio ao mais duro dos cenários. Talvez esse renovo seja muito difícil de perceber. Talvez não se trate sequer de um riacho, mas uma humilde poça em nossos desertos. Jamais iremos enxergá-la, contudo, a menos que estejamos dispostos a mudar nossa perspectiva e encarar nossas vidas de uma outra forma: com um coração grato, humilde, disposto a ser amado e a amar.

Por isso, irmãos e irmãs, empresto as palavras do apóstolo Paulo para exortá-los e exortá-las, assim como faço para mim mesmo, mais uma vez: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2). Que as nossas mentes sejam transformadas, nossas perspectivas modificadas, para que não permitamos que as circunstâncias deste mundo se imponham sobre nós, mas que experiementemos daquilo que Deus nos reservou de melhor. E que isso não fique circunscrito apenas para a virada de ano e sim que se aplique para cada dia de nossas vidas.


Oro para que todos nós possamos receber o novo ano com uma nova perspectiva, transformada no Senhor e com nossas esperanças depositadas também n’Ele, para que não apenas tenhamos forças para trilhar, mas que também possamos desfrutar ao máximo este novo ciclo.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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