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O egoísmo que isola e o amor que salva

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 15 de mar.
  • 4 min de leitura

“Quem se isola busca interesses egoístas e se rebela contra sensatez.” (Pv 18.1). Há uma grande verdade neste provérbio. É possível que haja ocasiões em que nos isolamos porque queremos um momento de serenidade, de descanso ou até por motivos espirituais. Isso é saudável, ainda mais quando consideramos o atual contexto em que vivemos: grandes cidades e hiperconectividade digital. Com tantos estímulos visuais e sonoros, é não apenas recomendável como importante separarmos um momento para nos isolarmos de tudo e todos como uma forma de renovo, sempre tendo em vista a finalidade: para podermos retomar nossas rotinas com as baterias recarregadas.

Há um grande problema, contudo, quando o isolamento se torna um fim em si mesmo, situação que creio ser o motivo do autor do provérbio a escrevê-lo. Quando passamos a nos isolar simplesmente porque queremos isso, porque temos algum interesse que nos leva ao isolamento, passamos a viver uma vida que vai de encontro à sensatez (que no contexto do livro de Provérbios nada mais é do que uma vida de humildade e temor a Deus) - nossos interesses, nosso egoísmo, passa a ocupar o trono que somente Deus pode ocupar em nossas vidas.

Na medida em que nos isolamos por causa de nossos interesses próprios, os nossos valores e a forma como usamos nosso tempo se tornam negociáveis, fluídas. Como cristãos, temos uma responsabilidade de cultivar e priorizar atividades que edifiquem não somente nossas vidas, mas aos outros e, em última instância, o reino de Deus. Quando escolhemos nos isolar como um fim em si mesmo, podemos deixar, por exemplo, de ir a Igreja, de servir ao próximo, de conversar, ler e estudar a Bíblia, orar, jejuar. Abdicamos das coisas de Deus porque passa a nos ser mais importante atender aos nossos desejos individuais. 

Adicamos, também, daquilo de mais importante para o que Deus nos criou e colocou nesta Terra: nos relarcionarmos uns com os outros. Lembremo-nos, meu irmão e minha irmã, Deus é amor (1Jo 4.8). Ora, por acaso há amor onde somente há um? Amar não se trata de um verbo intransitivo, mas sim transitivo - se ama a alguém. Portanto, ao nos isolarmos, nos privamos não somente de ser canal da expressão mais pura de Deus para outras vidas, como também deixamos de receber. Nessas condições, o amor cede lugar à apatia, à indiferença; nossos corações esfriam - afinal, quem ou o que importa mais do que eu e meus interesses?

Ao final de tudo, meu irmão e minha irmã, por mais irônico que venha a parecer, aos nos isolarmos, nos perdemos em nós mesmos. Num possível intento de fugir dos opressores estímulos sonoros e visuais, acabamos circunscritos aos nossos próprios pensamentos, ainda mais barulhentos e fréneticos do que os primeiros. Eventualmente, isolados em nossos próprios interesses e entregues à nossa mente, perdemos nosso senso de ser e passamos a simplesmente sermos espectadores da vida, anestesiados e paralisados.

Que, então, podemos fazer, se em algum momento cairmos no abismo do isolamento “egoísta”, aquele a que faz referência o autor de Provérbios? Certamente, uma vez que começamos a trilhar este caminho, pode ser bastante difícil abandoná-lo, porém nós, pela graça de Jesus, temos, através do Espírito Santo, um contato direto a Deus para todo e qualquer momento, toda e qualquer circunstância. Que nós aproveitemos desta benção! Quando sentirmos a vontade de nos isolar como um fim em si mesmo, que voltemos nossos olhos ao Senhor em oração e peçamos Sua ajuda.

Quando isso não for o suficiente, busquemos a ajuda de um irmão ou irmã na fé, que poderá ser reflexo de Deus em nossas vidas, através do acolhimento, do cuidado e carinho. Nossa caminhada não é, nem deve ser isolada e sim com apoio uns dos outros, para que, unidos, possamos alcançar a glória eterna.

Em última instância, ainda que falhem nossas orações e ainda que falhem a ajuda de nossos irmãos e irmãs, mesmo quando parecer que nos isolamos de tal maneira que não há mais saída, não há mais esperança, O Senhor irá até nós para nos buscar, porque, como está escrito, se de 100 ovelhas uma se perder, deixará as 99 para buscar aquela que se desviou (Lc 15.4-6). De alguma maneira que vai muito além de nosso limitado entendimento, Ele nos trará de volta para Sua casa, com todo amor e todo carinho.

Que fique claro, meu irmão e minha irmã, não há nada de errado em se retirar da sociedade e das redes de momento a momento. É um problema, no entanto, quando esse isolamento deixa de ser uma ferramenta e se torna um estilo de vida. Não permita que se chegue a esse ponto - busque ajuda, em Deus e em outros. E jamais se esqueça: O Senhor jamais o deixará, jamais o abandonará (Js 1.5).


Oro para que nenhum de nós jamais desviemos o nosso olhar de Jesus, para que não sobrevenha a nós o desejo de se isolar de maneira que se torne um fim em si mesmo. Que nós sempre nos lembremos que nosso Deus é um Deus relacional e nós, como criações à feição dele, devemos nos relacionar e não nos isolar.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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