O Espírito - Antídoto para o ciclo “ação-reação”
- Pedro Mendes
- 16 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Uma das leis newtonianas fundamentais da física é de que “para toda ação, há uma reação”. Em termos mais práticos, tal postulado se configura quando um corpo aplica uma força em outro, o qual por sua vez reage aplicando força igual em sentido oposto no primeiro. É curioso perceber, no entanto, que tão forte é essa lei que atravessa o campo das ciências da natureza e se faz vigente nas relações humanas - desde as de maior escala e mais complexas, até as mais simples.
Pense, por exemplo, na relação entre os Estados: no campo de Relações Internacionais, algumas teorias defendem que uma ação belicosa de um Estado (o aumento de gastos em defesa nacional) instigar igual reação de outros Estados (também aumentam seus gastos ou estabelecem alianças entre si) de tal maneira a, supostamente, se protegerem de uma potencial ameaça.
Similarmente no interior de um Estado democrático, determinada ação do poder executivo pode instiga reações dos poderes legislativo e judiciário, naquilo que chamamos de “freios e contrapesos” - em tempos recentes, deve-se dizer, temos visto esse mecanismo na prática de maneira bastante evidente em nosso país.
Por fim, também o vemos no nível mais micro das relações humanas, que são as relações interpessoais. Imagine o seguinte cenário: você está no trânsito, dirigindo seu carro e de repente um outro motorista coloca seu veículo em sua frente, sem ter dado qualquer sinalização prévia de que faria tal manobra. Irritado, você reage, piscando o farol alto, buzinando e xingando esse motorista. Eis então que ele, igualmente furioso por sua reação, saí do carro a mão armada.
Meu irmão e minha irmã, entendo que o exemplo relatado acima possa ser um tanto exagerado, mas a lição central é que ao adotarmos impensadamente a lei de ação-reação corremos sérios riscos - em casos mais atenuantes, esgarçamos nossas relações com outras pessoas; nos piores, podemos até morrer.
O fato é que, ao reproduzirmos o ciclo de “ação-reação” que pemeia as relações humanas, estamos nada menos do que reforçando o império da carne sobre nossos corpos e nosso espírito. A carne não pensa no outro, é egoísta. A carne não nos estimula a pensar no que fazemos; ao contrário, nos leva a agir por instinto e ignorar os desdobramentos da nossa conduta.
Na medida em que desconsideramos o próximo e as consequências de nossas ações, adotamos um modo de pensar, uma mentalidade, tal que, gradualmente, nos levará a destruição: destruição de nossas relações, destruição de nossa saúde, destruição de nossos recursos, destruição de nossas vidas. Nos levará, em última instância, à morte, conforme sabiamente alerta o apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos (capítulo 8, versículo 6a).
No entanto, nós, que aceitamos a Jesus como único e suficiente Senhor e Salvador de nossas vidas, felizmente temos uma alternativa: não precisamos ser engrenagens da máquina de moer carne do mundo, cujo motor é o ciclo de “ação-reação”; nós temos a nossa disposição, dentro de nós, pela graça de Deus, o Espírito Santo. O Espírito não é egoísta, mas humilde e amoroso para com qualquer um. O Espírito, não nos induz a tolice, mas nos concede sabedoria - a sabedoria para entender quando pode ser melhor não agir/reagir ou de que maneira agir/reagir. O Espírito não nos leva destruir, mas sim a edificar: edificar novas relações, edificar nossa saúde, edificar novos recursos (não necessariamente físicos, mas certamente espirituais), edificar uma nova vida. Com Espírito, a morte do corpo físico não é o fim, mas sim o começo de uma nova vida - a vida eterna, a vida com Deus, conforme também anuncia Paulo, na mesma carta anteriormente mencionada (capítulo 8, versículo 11).
Não se trata de uma jornada simples, contudo. Ora, o quão difícil é resistir ao chamado da carne! Em todos os dias, passamos por situações semelhantes ao exemplo anteriormente citado do trânsito, e o quão difícil é resistir ao instinto que nos faz querer retribuir o outro com hostilidade proporcional (ou até maior) do que ele mesmo impôs sobre nós.
Sei, meu irmão e minha irmã. Sei bem disso, pois justamente nos últimos dias estive refletindo sobre isso e percebendo a enorme dificuldade que é de resistir ao instinto carnal de “olho por olho, dente por dente”, de ter preconceitos e tecer julgamentos sobre o outro por causa das ações ou da aparência dele, até mesmo de mal-dizer a alguém em suas costas, enquanto conversamos com outros.
Mas não podemos esquecer que, por termos sido alcançados por Jesus, fomos agraciados por Ele a termos uma escolha: não precisamos ficar condenados ao império da carne, podemos, intencionalmente e por amor ao nosso Deus, escolher viver pelo Espírito, conforme o Espírito. Isso não significa que jamais iremos tropeçar, muito pelo contrário. Porém significa estarmos conscientes de que não somos mais escravos da lei “ação-reação”, da lei da carne - pelo Espírito, estamos livres.
Somos livres para que ao invés de imediatamente xingarmos, piscarmos luzes e buzinarmos para um motorista que subitamente se coloca à nossa frente, possamos respirar fundo, seguir como nosso trajeto e recordarmos que, na capacidade de motorista, temos uma responsabilidade de dirigir de tal maneira que protejamos não apenas a nós mesmos, como também a todos os demais veículos ou pedestres que estejam passando por perto de nós.
Muitas vezes nosso reflexo natural, instintivo, é o de xingar, de hostilizar, de julgar ou de odiar, mas que, como reação a isso, nos condicionemos a correr aos braços do Pai e suplicarmos a Ele que ajude os miseráveis homens e mulheres que somos! Por mais que insistamos nessas más atitudes, por mais que sigamos a tropeçar, não precisamos temer, e sim ter fé, humildade e submissão perante ao Espírito Santo que segue, paciente e cuidadosamente, trabalhando em nós de tal maneira a transformar tão profundamente nosso ser que aquilo que é “natural”, “instintivo” em nós passará a ser, amar, acolher, abraçar e compreender. Que tão somente sejamos os mais intencionais que nossas limitações nos permitem ser, por amor ao nosso Deus, a viver não pela carne, e sim pelo Espírito!
Oro para que em todos os dias, em todos os momentos, possamos ter a plena consciência de que, em Jesus, temos a liberdade e somos capacitados a vivermos de acordo com o Espírito. Que sejamos transformados a tal profundidade que o natural para nós seja viver guiado pela vontade do Espírito. Que possamos ser exemplos para outros de que há uma alternativa ao cruel ciclo de “ação-reação”.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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