As sabedoria de um pai: a magia da gratidão
- Pedro Mendes
- 11 de ago. de 2024
- 4 min de leitura
Sem dúvidas, a ingratidão é um dos grandes problemas da humanidade que perpassa as mais diferentes esferas sociais. Nossa enrome dificuldade em reconhecer o valor daquilo que nos foi dado e prestar a devida reverência a quem nos deu é causa atemporal de conflitos nas mais diversas escalas - entre família, amigos, até mesmo na política, mas talvez principalmente em nossa relação com Deus.
Durante toda sua história, a humanidade recebeu as mais preciosas dádivas: um intelecto superior e a capacidade de se agrupar que nos habilitou a perpetuar nossa espécie e dominar sobre as outras e um mundo rico em belezas naturais e em recursos para que dele pudéssemos tirar sustento. Por traz de tudo isso, meu irmão e minha irmã, e de muito mais que ainda receberíamos, havia o amor, o carinho e o cuidado de nosso Deus.
Contudo, e a narrativa bíblica explicita isso em inúmeros períodos, por quantas vezes a humanidade se recordou de prestar os devidos agradecimentos a Deus? Por quantas vezes, preferiu reclamar daquilo que via de negativo ao seu redor, maldizendo a tudo e a todos, ao invés de abrir os olhos para tudo o que recebeu de positivo em sua vida?
Naturalmente, se adotamos uma postura de ingratidão para com Deus, ela irá se refletir em todas as demais relações de nossas vidas: ao invés de nos sentirmos gratos e agradecermos por temos, mesmo que em pouca quantidade, aqueles amigos que sabemos que nos acompanhariam na alegria e na tristeza, preferimos murmurar porque não fazemos parte do grupo dos “mais descolados”; ao invés de nos sentirmos gratos e agradecermos pelo trabalho que temos, preferimos murmurar seja do nosso salário, seja do trânsito ao qual somos submetidos ou a qualquer outra condição de desconforto às quais estejamos sujeitos; ao invés de nos sentirmos gratos e agradecermos pela família que temos, preferimos murmurar de como são inconvenientes, como são intrometidos ou de como são injustos.
Meu irmão e minha irmã, ninguém pode negar a existência de toda sorte de motivos para os quais podemos reclamar. Eles estão perante nós e, sem dúvida, se assim permitirmos, podem gerar muitos desconfortos em nossas vidas. Não há como negar o desconforto de ser rejeitado por um grupo ou por uma pessoa quando muito desejamos nos aproximar deles; não há como negar o desconforto de recebermos um salário com o qual mal podemos sustentar o básico para viver ao mesmo passo em que podemos nos submeter a um trânsito intenso, a um ambiente de trabalho desagradável ou qualquer outra condição negativa; não há como negar o desconforto de conflitos com nossos familiares e as sérias consequências que podem ter em nossas vidas - como ressentimentos e traumas crônicos.
No entanto, meu irmão e minha irmã, ainda que não se possa negar tudo de negativo que faz parte de nossa realidade, nós temos uma escolha, uma resposta que podemos dar frente a isso: podemos reclamando, focando nossos olhos apenas no negativo que nos cerca ou, ao invés disso, podemos, por mais difícil que isso possa se provar, centralizar nossa visão no positivo de nossas vidas e agir demonstrando e prestando gratidão por tudo que temos e pelo que ainda iremos receber.
Esse importante ensinamento, por curioso que isso venha parecer, não me foi transmitido em uma Igreja, mas sim por uma das pessoas mais especiais e quem mais respeito e admiro em minha vida: meu pai. Ainda que não seja cristão - que não tenha fé alguma, de fato - diria que enxergo em meu pai características mais próximas dos ensinos bíblicos do que muitos autoproclamdos “cristãos”, como uma retidão moral inabalável em todas as esferas de sua vida inabalável, persistência e coragem admiráveis, um amor sem barreiras pela sua família, dentre muitas outras qualidades. De todas, no entanto, quero focar na capacidade de ter uma perspectiva de gratidão, indiferente a qualquer circunstância.
É sempre meu pai que me diz, enquanto andamos de carro e reclamo do trânsito intenso, que devemos ser gratos porque temos um carro de ótima qualidade e com ar condicionado em perfeita condição de funcionamento. É sempre meu pai que me diz, quando reclamo que estou entendiado, que não há nada para fazer, que devemos ser gratos por morarmos em um lugar como o Rio de Janeiro, com tantas opções de lazer. É sempre meu pai que me ajuda a enxergar, quando estou frustrado e chateado com qualquer problema que seja, o quanto que o mundo é belo e o quão pequenos os problemas são perantes a beleza a que nossos olhos podem ver.
Pela maior parte da minha vida, contudo, ainda que eu tivesse acesso a tão valiosa sabedoria, preferi fechar os olhos e os ouvidos para o que meu dizia e ensinava, por acreditar que enxergar aquilo tudo em nada me ajudaria. Quando, então, conheci e aceitei a Jesus, foi que, aos poucos, pude começar a perceber o real valor dos ensinamentos de meu pai e admirá-lo ainda mais; mas também pude perceber o quão importante, ainda mais enquanto cristão, é ser grato por tudo o que é bom a que tenho acesso, pois é pela graça - que por definição é exatamente receber sem merecer - que tudo recebo.
Sou profundamente grato a Jesus por tanto que tem feito em minha vida que sequer posso listar, mas sou especialmente grato pela nova perspectiva que me abriu, que me ajuda a valorizzar mais e mais a sabedoria de meu pai e seus ensinamentos. Sou também profundamente grato a meu pai, pelo amor, pelo carinho, pela disciplina e por me ensinar a importância de agradecer por todas as maravilhas em minha vida!
Oro para que você consiga enxergar em sua vida pelo que agradecer e oro para que neste dia, dia dos pais, aqueles que são filhos possam agradecer pela vida de seus pais e que seus pais agradeçam pela vida de seus filhos!
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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