Canal da Graça
- Pedro Mendes
- 10 de nov. de 2024
- 3 min de leitura
Ao longo da narrativa bíblica, é possível encontrar inúmeros exemplos da majestade de Deus manifesta através de gradiosos milagres: como a divisão do mar de Vermelho, a destruição do exercíto assírio por anjos e a sobrevivência de Sadraque, Mesaque e Abednego na fornalha de Nabucodonosor. Ao nos depararmos com esses acontecimentos, é razoável que sintamos admiração e até intimidação pela figura de Deus - não há dúvida, afinal, da natureza divina dos feitos citados. Isso pode nos dar uma sensação de que os milagres são infinitamente distante de nós, que não temos influência alguma; isso, contudo, não poderia estar mais distante da verdade.
Repare, meu irmão e minha irmã, que em todos os exemplos citados acima, os milagres são precedidos por demonstrações de fé marcantes: Moisés clama a Deus por ajuda, plenamente convicto no livramento que viria do Senhor (Ex. 14: 13). O rei Ezequias e o profeta Isaías mantiveram sua confiança firme e oraram e clamaram a Deus, a despeito das cartas aviltantes contra a figura do Senhor por parte do rei dos assírios e a ameaça que ele representava ao povo de Israel (2Cr. 32: 20). Por fim, mesmo perante ao imponente e poderoso rei Nabucodonosor, Sadraque, Mesaque e Abednego não hesitaram em declarar que seu Deus os livaria da fornalha ardente (Dn. 3: 17).
Não deve haver dúvida: se assim fosse seu desejo, Deus faria o milagre que quisesse, quando e quantas vezes quisesse, independemente da fé de qualquer humano. Ele, contudo, por seu imenso amor e misericórdia, permite que a humanidade, mediante a sua fé, seja um canal para a ação do divino. Ocorre que nos exemplos citados, todos situados no Velho Testamento e, portanto, no tempo da Antiga Aliança, essa honra era reservada a um grupo seleto - aqueles a quem Deus elegia para se comunicar diretamente.
A partir da morte e ressurreição de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, que inaugurou a Nova Aliança, entretanto, a dádiva de ser um canal da graça de Deus, antes reservada a alguns poucos, agora é aberta a todos nós, que cremos - independemente de nossas imperfeições, de nossas carências.
Meu irmão e minha irmã, é bastante provável que, em diferentes contextos, olhemos para nós mesmos e vejamos alguém que nada tem a oferecer em termos materiais, emocionais ou de qualquer outra sorte; alguém que está quebrado, marcado por um passado negativo; alguém que é inútil e que está a mercê de determinada situação. É exatamente em circunstâncias como essas, de total desesperança, que a fé em Deus, seja de nós mesmos ou de outros, pode servir para que nós sejamos canais da graça de Deus um na vida do outro.
Por menores, mais quebrados e inúteis que pensamos que sejamos, nós, através do Santo Espírito, concedido a nós pelo infinito amor de nosso Senhor, podemos manifestar a graça de Deus na vida amigos, familiares e até mesmo desconhecidos. Fazemos isso cedendo nosso tempo, nossa energia, nossos recursos materiais - independemente de sua quantidade.
Não precisamos separar mares, chamar anjos para destruírem exercítos ou sobreviver a uma fornalha ardente para manifestar a graça de Deus - tão somente basta que, com fé no Senhor, ajamos, com o pouco que seja que tivermos disponível, em favor de outro. O restante, podemos ter a plena certeza de que Ele cuidará e de que no nosso pouco, Ele fará superabundar.
Oro para que Deus possa nós sensibilizar para oportunidades de sermos canais de sua graça na vida de outros, para que, dessa forma, Ele possa ainda mais glorificado.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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