Comunhão - A beleza de caminhar em união
- Pedro Mendes
- 21 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Na última semana tive o privilégio e o prazer de estar no retiro de minha querida Igreja, a Igreja Batista Marapendi. O tema do retiro não poderia ter sido mais apropriado: comunhão. Em uma Igreja pequena em números e em estrutura como é a nossa, a união entre os irmãos e irmãs não poderia ser mais importante. Tivemos a oportunidade de conhecer melhor uns aos outros, aprender e se divertir com cada um e sair com a certeza de que podemos contar uns com os outros não apenas em oração, mas para o que quer que aconteça.
Mas a experiência que tivemos não precisa nem deve se restringir àquele tempo ou apenas ao nosso hall de membros. Por isso, quero usar o espaço deste texto para partilhar um pouco do que aprendi durante o período em que estive no retiro, de tal modo que Deus faça transbordar para fora tudo o que Ele derramou sobre mim naqueles dias de retiro espiritual.
A comunhão, meu irmão e minha irmã, é algo curioso. Ao mesmo tempo em que ela nos desafia, ela nos dá conforto. Ela nos desafia, porque nos coloca diante de todo tipo de gente, pessoas que tem afinidade conosco, mas também pessoas que possuem características que de alguma forma nos contrariam, e nós precisamos interagir e caminhar junto de todos. Tomando emprestado o exemplo utilizado pelo pastor que foi convidado para pregar ao nosso grupo, veja os discípulos de Jesus: havia um publicano, alguém que traiu o povo judeu para trabalhar junto com os romanos para cobrar impostos de seus cocidadãos, bem como havia um zelote, alguém cuja crença central era a luta armada contra o regime romano para a libertação do povo judeu. Como duas figuras tão antagônicas poderiam coexistir?
Esteja seguro ou segura: Assim como fez com seus discípulos, Deus nos auxilia e nos capacita para nos integrarmos na comunhão da Igreja. E uma vez integrados, percebemos o quão confortável e aconchagante é poder estar ao lado e crescer junto de outras pessoas que, embora diferentes, se norteiam por um mesmo propósito.
Mais do que isso, a comunhão nos permite partilhar o pão uns com os outros ou, em outras palavras, dividir aquilo que nos sustenta, que nos dá força, entre nós. Através de testemunhos de vida e de palavra, de conversas e de abraços, nos podemos levantar e encorajar aquele irmão ou irmã que está em adversidade, assim como podemos, nos mesmos, sermos levantados.
Ao mesmo tempo, a comunhão nos ajuda a encontrar pessoas que se dispõe a dividir conosco nossos fardos e vice-e-versa. Nos momentos de adversidade, de tristeza, de lutos, devemos estar prontos para abraçar, chorar juntos ou simplesmente estar ao lados dos irmãos e irmãs em silêncio, como estiveram os amigos de Jó (2.13).
Contudo, e talvez este tenha sido o ensinamento mais importante, de nada adianta uma comunhão que se delimita de uma igreja para dentro. Lamentavelmente, existem muitas igrejas por aí afora que estão construíndo - ou pelo menos intencionam construir - núcleos societais restritos em si mesmos, bolhas autossuficientes na sociedade, que antes preferem se isolar em si próprias do que arriscar se “sujar” com o que há no mundo. Comunhão não se trata disso, nem tampoco se trata de simplesmente estar disposto e de braços abertos para receber quer que seja (ainda que isso seja fundamental), mas sim de viver no mundo a mesma comunhão que vivemos na Igreja e com Deus Pai, o Filho Jesus e o Espírito Santo, de tal modo que possamos contribuir para avançar o Reino dos Céus aqui na Terra.
Comunhão é sobre se desafiar e achar conforto. É sobre levantar e ser levantado. É sobre consolar e ser consolado. É sobre trocar internamente, mas também sobre levar para fora. Pense nisso quando estiver na Igreja, mas também carregue isso quando estiver fora dela.
Oro para que, caso você esteja desigrejado ou esteja se sentido sozinho e perdido neste mundo, você possa encontrar uma comunidade que te receba de braços abertos e com a qual você possa caminhar junto. Também oro para que, caso você já tenha uma comunidade, que você possa viver a comunhão de modo intencional com ela, bem como fora dela.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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