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Desnaturalizando o amor

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 25 de dez. de 2024
  • 3 min de leitura

A naturalização é uma consequência inevitável do conhecer e do viver. Na medida em que internalizamos uma ação, um acontecimento que corresponde às nossas expectativas com regularidade, o encanto, o deslumbre, o mistério existentes na primeira vez em que experimentamos aquilo que hoje nos é habitual são esquecidos como uma memória muito distante. Com esse esquecimento, a naturalização nos torna apáticos, nos faz banalizar, tornar ordinário uma ocasião que deveria ser motivo de celebração, de alegria.

Meu irmão e minha irmã, eu não posso dizer por você, mas, para mim, a Natal tornou-se exatamente vítima de um processo de naturalização. Ora, até antes de minha conversão, minhas expectativas para o Natal eram praticamente ritualísticas: um descanso dos estudos/trabalho, uma reunião em família com  uma mesa farta em comidas próprias do período natalino e uma troca de presentes; nada mais, nada menos do que isso. 

Como em todos anos esses acontecimentos se repetiam, de modo praticamente padronizado, não encontrava motivos para questionar o que estaria além da superfície dos rituais natalinos; mais do que isso, não encontrava motivos para, de fato, celebrar o Natal. Meramente seguia, de maneira quase que mecânica, os processos de reunião familiar, ceia e troca de presentes.

No entanto, desde minha conversão, há pouco mais de um ano, recebi um convite para, enfim, ir além do ordinário e desnaturalizar um período que representa muito mais do que um mero ritual que se repete todos os anos. Não irei mentir, meu irmão e minha irmã, a desnaturalização não tem sido um processo instantâneo; longe disso. Gradualmente, na medida em que conheço mais do texto bíblico, mas, mais importante do que isso, conheço mais de Deus, o significado do Natal vai adquirindo mais substância.

Não se trata simplesmente de um período anual de reunião em família, ceia e troca de presentes. Ao mesmo tempo, também não se trata meramente de se lembrar que se trata do período que marca o nascimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, na manjedoura, cercado de seus pais, alguns pastores e jumentinhos; da mesma forma como ocorre com os rituais natalinos, o conhecimento bíblico, por si só, também pode ser naturalizado.

Por isso, meu irmão e minha irmã, o que eu posso dizer a você a respeito do Natal é isso: trata-se de um período no qual devemos celebrar a vinda do amor encarnado à nossa Terra, ao nosso plano de existência. Um amor que se sacrificou em nosso favor para nós salvar de uma morte certa e nos oferecer o maior dos presentes, que é a vida; um amor que transcende o tempo e que, mesmo há mais de dois mil anos depois, continua a se derramar e a nos cercar. Esse é o amor de Deus.

É através da meditação sobre essa verdade que podemos abrir nossos olhos para enxergar o cuidado, o amor de Deus manifesto nos mínimos detalhes: no amor colocado na preparação da ceia, no fato de que todos os familiares puderam chegar em segurança e com saúde para estarem juntos, nas conversas e na diversão em família. É dessa forma que aquilo que antes parecia ser um mero ritual ganha um significado especial, extraordinário.

Assim se inicia o processo de desnaturalização não somente do Natal, mas até mesmo daquilo que é mais ordinário em nosso cotidiano: devemos, sempre, nos recordar da vinda do amor de Deus encarnado até nós, sem que sequer tivéssemos pedido por isso, para se sacrificar em nosso favor, de maneira imerecida, e nos dar vida - uma vida eternamente cuidada e eternamente amada e que, se nos dispusermos a enxergar, veremos que sempre está ao nosso lado, nos acompanhando.

Oro para que eu e você sempre possamos nos recordar do imensurável amor que veio até nós para que, a cada dia, possamos enxergá-lo ao nosso redor e sermos gratos por ele.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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