“Do que você se alimenta?”
- Pedro Mendes
- 25 de ago. de 2024
- 4 min de leitura
Há alguns anos, minha antiga escola havia realizado um festival, tendo como tema a provocativa pergunta: “Do que você se alimenta?”. Ainda que de maneira superficial, a provocação nos leve a pensar somente do ponto de vista nutricional (como, inclusive, a maior parte das exposições na escola haviam feito), também é possível refletir sobre o tema, através de analogias, em termos metafísicos. Sob esse prisma, a alimentação não se restringe somente ao que o corpo consome, mas também ao que a alma recebe.
De maneira semelhante a como ocorre do ponto de vista físico, podemos oferecer a nossa alma alimentos nocivos, podres, pobres em sustança ou oferecer alimentos nutritivos, que fortalecem nossa estrutura e que nos sustentam por um longo período. Também, da mesma forma como ocorre com os alimentos físicos, os alimentos nocivos e fracos são os mais tentadores, ao passo que os alimentos nutritivos são menos atrativos.
Embora saibamos da importância de manter uma dieta variada e equilibrada, organizando um cardápio que supra (ou ao menos que se aproxime disso) todos os nutrientes que precisamos para que nosso corpo fucione adequadamente, frequentemente nos vemos mais tentados a consumir, em excesso, alimentos concentrados em gorduras e, principalmente, açúcares. Isso ocorre porque, mesmo que já existam diversas evidências as quais indiquem o quão danosos o consumo exagerado desses alimentos é ao nosso organismo, esses alimentos geram em nós uma enorme sensação de prazer - tão significativa é sensação, de fato, que algumas pessoas, emocionalmente abaladas, se voltam a uma barra de chocolate, bolos ou qualquer outro tipo doce para encontrar algum alívio ou, de maneira mais profunda, algum “avivamento” para suas vidas.
O problema, meu irmão e minha irmã, é que na medida que em nos deixamos levar por esse “avivamento” que as gorduras e os açúcares nos oferecem, passamos a buscar por essa sensação, através do consumo desenfreado de alimentos açucarados e gordurosos, a tal ponto que, quando percebemos por onde estamos trilhando, já nos vemos condição de vício. Pior do que isso, contudo, é o preço que esse vício cobra sobre nossos organismos: ficamos vulneráveis a uma enorme gama dos mais diversos problemas de saúde - desde problemas ósseos, sanguíneos, no funcionamento de órgãos cruciais, dentre muitos outros. Em outras palavras, o vício dos açucarados e godurosos se torna como grilhões, que nos predem e pesam sobre nós, de tal forma que nos derrubam.
Assim também procedemos com os alimentos para nossa alma. Mesmo aqueles que não tem fé tem consciência de que é necessário zelar pelas suas almas, cuidando, controlando as emoções, sendo um membro funcional da sociedade. Mas ainda assim, todos, com ou sem fé de qualquer matriz religiosa, acabam, em algum ponto de sua vida, alimentado suas almas com algo que ofereça um prazer, um fugaz “avivamento”. O problema é que, da mesma forma como o açúcar e a gordura em excesso deterioram nosso organismo, essas atividades devastam nossas almas - nos levando a desequilíbrios emocionais, sentimentos de abandono, incompletude, de baixa autoestima - mas, não obstante esses efeitos, nos viciam de maneira tão, ou talvez até mais forte, do que os açúcares e as gorduras. Para mim, "os açúares e as gorduras da alma” foram os videogames. Para outros, podem ser as redes sociais, a pornografia, os jogos de azar, os jogos de aposta, as drogas, as bebidas alcoólicas, dentre muitos outros exemplos.
A ironia, tanto para o alimento físico quanto para o alimento da alma, acaba sendo que, os alimentos que nos dão algum prazer, algum ânimo, algum “avivamento”, são precisamente aqueles que nos conduzem a um caminho de morte - tanto de ordem física quanto para a alma. Mas, qual, então, pode ser nossa resposta diante disso? Como podemos evitar um destino tão cruel?
Exatamente como faríamos para os problemas alimentares de ordem física, também devemos fazer para os problemas no nível da alma: precisamos buscar uma reeducação alimentar. Ora, se estamos exagerando nas barras de chocolates, nas tortas, nos salgadinhos, precisaremos não somente reduzir em muito a quantidade de vezes por dia e por refeição do consumo, mas também procurar por mais vegetais, carnes e frutas, que embora o nível de prazer que ofereçam nem se compare ao que os chocolates, tortas e salgadinhos dão, possuem uma maior variedade de nutrientes e contribuem para um funcionamento mais adequado de nosso organismo - Em outras palavras, contribuem para que tenhámos uma melhor qualidade de vida, nos dando, de fato, um genuíno e duradouro avivamento.
No entanto, onde encontraremos os “vegetais, carnes e frutas” da alma? Onde encontraremos algo que dê verdadeiro sustento à nossa alma? Que nos dê avivamento que não seja fugaz, mas sim eterno? Meu irmão e minha irmã, a resposta reside n’Aquele que vem dos céus. Naquele que, ao preço de sua própria vida, nos vivificou. Naquele que é o Senhor e Salvador de nossas vidas, Jesus Cristo. No entanto, assim como não é simples o processo de reeducação alimentar do ponto de vista físico, também não o é para a alma. O processo de mudança que Jesus opera em nós, através de seu Espírito Santo, é, por muitas vezes, doloroso e desafiador, o que pode nos levar, em vários momentos, a querer fugir aos nossos velhos hábitos, em busca do prazer fácil e rápido que eles nos oferecem. Contudo, mediante a fé e a perseverança, podemos ter a esperança de que, no fim, teremos com Jesus uma qualidade de vida incomparavelmente melhor do que antes, mas também um avivamento que não é precoce, mas sim que é eterno. Podemos ter a certeza, enfim, de que estamos alimentando nossa alma com os "nutrientes" que contribuem para o seu melhor funcionamento.. Afinal, assim está escrito: “...Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede.” (Jo. 6:35).
Que você possa repensar seus hábitos alimentares de tal modo a não se tornar um refém dos prazeres fugazes, mas buscar uma melhor qualidade de vida, tanto para o corpo como, principalmente, para a alma.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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