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Nasce um novo dia

Foto do escritor: Pedro Mendes
Pedro Mendes
30 de ago.
4 min de leitura

Atualizado: 31 de ago.

Um aviso importante ao querido leitor e à querida leitora: este texto mergulha em pontos cruciais do novo filme do Homem-Aranha. Caso ainda não tenha assistido ao filme, tenha interesse em fazê-lo e não queira que sua experiência seja prejudicada, aconselho que deixe a leitura deste texto para depois de sua sessão. Do contrário, será um prazer tê-lo(a) comigo nesta leitura.

Certamente, não escapou a ninguém, mesmo a quem não é fã, o estrondoso sucesso que o mais novo filme do Homem-Aranha tem angariado nos cinemas. Sendo um dos heróis mais populares de todos os tempos, em todas as mídias, não é de causar tanto espanto que o filme continue quebrando recordes, mas não é intenção deste texto tratar das razões que levam a isso e sim tratar de possíveis lições que o longa-metragem do herói aracnídeo tem a nos ensinar.

Em uma breve sinopse, o filme segue na esteira do último longa do herói no universo Marvel - Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. O filme, cuja marca principal ao público certamente foi a aparição das três mais famosas interpretações do herói no cinema, teve consequências profundas para o aracnídeo interpretado por Tom Holland: além de ter perdido sua tia May, todas memórias que seus companheiros mais próximos e que sua namorada tinham dele foram totalmente apagadas. Na prática, era como se Peter Parker jamais tivesse existido na face da Terra. Nada - nem histórico escolar, nem registros civis, nem heranças - havia sobrado.

Peter Parker começa o novo filme só, contemplando de longe a vida de seus amigos, deliberadamente decidindo não se reaproximar por medo de que fossem postos em perigo e o mesmo destino que recaiu sobre sua tia caísse também sobre eles. O jovem do Queens, então, sai de cena e o alter-ego aracnídeo, Homem-Aranha, cresce cada vez mais, afinal, enquanto se ocupava em seus empreendimentos heroicos, a dor de ter tido toda sua vida pessoal despedaçada, todos os laços de amizades rasgados, poderia ser silenciada.

A vida de Peter como o Aranha é um sonho: o início do filme, bem como diversos trailers, retratam isso - com o tempo dedicado a simplesmente vestir o uniforme, nenhum adversário é páreo, já não há nenhum difamador na cidade, sua popularidade junto aos nova-iorquinos só aumenta. Contudo, quando tira a máscara, a realidade bate: ele está totalmente sozinho, escondido nas sombras de um apartamento sujo, mal-cuidado, cujas principais mobílias são seus aparatos tecnológicos para auxiliar no combate ao crime.

Muitos de nós somos ou podemos ser como Peter em algum momento de nossas vidas: temos a sensação de estarmos sozinhos ou de realmente estarmos só, mas ao invés de tratar isso, optar simplesmente por se entregar a uma tarefa de corpo e alma com o fim de silenciar algo que grita em nós. Sem perceber, ficamos presos em uma longa e fria noite, debaixo da qual a escuridão que nos cerca nos priva de qualquer perspectiva de saída. Tão profunda pode se tornar essa escuridão, de fato, que podemos começar a perder nosso próprio senso de identidade: algo que, gradualmente, ocorreu com Peter ao longo do filme.

Mas assim como foi para Peter, também é para nós: por mais que possa parecer que a noite jamais passará, que a dor em nós jamais sarará, podemos encontrar consolo e refúgio na Palavra do Senhor: “(...) O choro dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” (Sl 30.5). Na noite, estamos entregues a nós mesmos e às sombras. Podemos nos embriagar e nos intoxicar com nossas feridas que, em meio à escuridão, ninguém nos verá, nem nós veremos a nós mesmos. Mas no alvorecer da manhã, tudo fica mais claro: somos agraciados com a oportunidade de não apenas rever debaixo da luz do sol tudo que estivemos fazendo, como também de ter nossas esperanças renovadas e uma nova chance de experimentar a alegria.

Peter precisou de todo o tempo e todas as experiências pelas quais atravessou no filme para perceber isso: a noite, de tanta tristeza, sofrimento e confusão, chegaria ao fim, dando lugar a um novo momento, o momento do Alvorecer, do novo dia, como diz o subtítulo do filme; momento no qual, ainda que não pudesse recuperar tudo o que perdeu (sua tia segue morta e as memórias de todos a seu respeito continuam inexistentes), teria a oportunidade de renovar suas esperanças, construir novos laços e reestruturar sua identidade, não como super-herói, mas como o ser humano, Peter Parker - processo que se iniciou com a tocante conversa com Jean Grey, passando pela interação com o Justiceiro e se encerrando com o aperto de mão característico entre ele e seu amigo Ned Leeds.

Talvez você esteja vivendo uma noite particular neste momento, querido irmão e querida irmã, mas seja consolado por isto: Deus sempre nos abençoa com o nascer de um novo dia. É bem possível que o motivo de seu choro não passe com o alvorecer, mas o raiar da luz do sol ilumina sua visão, muda sua perspectiva e te ajuda a perceber a benção que recebeu: uma nova oportunidade para se alegrar, para se reerguer, para renovar as esperanças no Senhor e para expressar o amor d’Ele: por você, para consigo mesmo e para os outros ao seu redor.


Que nós jamais subestimemos a benção que é o alvorecer da manhã e que sempre possamos ser guiados pelo Senhor para aproveitar da melhor maneira, a maneira que aponta para o Reino, os nossos dias.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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JOÃO 13;34-35

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso, todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros."

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