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Não atire pedras; distribua graça

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 4 de mai. de 2025
  • 5 min de leitura

Meu irmão e minha irmã, certamente, em algum momento de sua vida, você se deparou com o super-herói Homem-Aranha - seja em um filme, um desenho animado ou em qualquer uma das várias mídias que retratam o personagem. Você provavelmente deve ter notado que um dos aspectos mais importantes retratados nas histórias do aracnídeo é que ele é uma figura mal compreendida pelo público em geral - seja por causa de questões mais superficiais, como seu traje, ou por questões mais profundas, como suas ações e motivações. Nesse contexto, não há outra figura que melhor encarna a má interepretação do escalador de paredes do que o editor-chefe do Clárim Diário, J. Jonah Jameson.

Em todas as ocasiões em que o Homem-Aranha é malquisto pelo público de Nova York, Jameson está em uma posição central. Tendo como lastro fundamental seus próprios preconceitos e seus sentimentos quanto ao super-herói, o editor-chefe do Clárim Diário usa todo o aparato midiático a sua disposição para  levar adiante uma campanha difamatória ao escalador de paredes, ordenando a publicação (ou publicando diretamente) de inúmeros artigos que colocam em questão a integridade moral, as intenções, a aparência, a partir de interpretações enviesadas sobre as ações do Homem-Aranha.

Ora, para Jameson, pouco interessava fazer uma análise mais profunda, cuidadosa e responsável do Homem-Aranha: mais interessante era lucrar sobre os malfeitos que atribuia ao herói e/ou projetar sobre o aracnídeo os defeitos que ele enxergava em si mesmo - como retratado principalmente nos quadrinhos - ou no mundo ao seu redor.

Muitas vezes, meu irmão e minha irmã, nos encontramos no papel de J. Jonah Jameson: um acusador, alguém que julga e condena de maneira impiedosa e incessante os diversos “homens-aranha” que se apresentam em nossas vidas - “mascardos”, cujos motivos não conhecemos, nem sequer nos interessamos em conhecer, mas que, sobre o prisma de nossos preconceitos, condenamo-os a partir de interpretações enviesadas de suas ações, seja porque ganhamos a partir disso, seja porque estamos projetando algo de negativo em nós sobre eles.

Eis um exemplo ilustrativo: imagine que você esteja assistindo um noticiário e surja uma manchete de um homem que assaltou, a mão armada, um supermercado. O assalto, contudo, é frustado e o homem termina preso. Ora, é bastante possível que, de partida, tenhamos opiniões fortes a respeito do homem, condenando-o como ladrão, como alguém que precisa ser cerceado da sociedade por muito tempo. Alguns, poderiam ir tão longe como advogar pela tese do “bandido bom é bandido morto”.

Meu irmão e minha irmã, em um caso como esse, não se pode negar que o crime ocorreu - assalto, ainda mais a mão armada, é uma infração significativa. No entanto, não obstante o rigor da lei do Estado, deveriamos nós condenar prematuramente uma pessoa, com base em nossos preconceitos? Nossas opiniões? Nossas interpretações feitas a partir das ações dessas pessoas? 

Talvez aquele homem tenha assaltado simplesmente pelo prazer de roubar, pelo prazer de ver o medo estampado em suas vítimas - infelizmente, existem pessoas envoltas em escuridão tão profunda que pensam nesses termos. Mas e se aquele homem tivesse recorrido ao assalto como um último recurso para dar o mínimo para que sua família pudesse sobreviver, depois de ter tido todas as outras opções descartadas? E se aquele homem tivesse sido coagido?

Temos, de fato, o direito de julgar qualquer pessoa por qualquer delito que seja? Quanto mais condenar sumariamente? Podemos realmente julgar um político por corrupção quando nós, em nossa infância, colamos uma prova? Podemos julgar um ladrão, quando nós mesmos já tomamos coisas de familiares e amigos sem o consentimento deles? Podemos julgar um assassino, quando nós somos capazes de infligir, com nossas palavras, dores mortais sobre os outros? Ora, todos nós somos pecadores! E não há gradação entre pecado - não existe pecado de grau maior ou menor! Pecado é pecado! No entanto, pela grande graça, misericórdia e amor de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, todos nós, pecadores que somos, recebemos da parte d’Ele o perdão! Não porque merecemos; de modo algum! Mas porque Ele é digno e bondoso assim mesmo!

Jesus não julga prematuramente a nenhum de nós. Em primeiro lugar, porque todos nós, não obstante o que pensemos, somos igualmente pecadores. Em segundo lugar, porque Ele é quem melhor conhece a nós (melhor até do que nós mesmos), nossas intenções e nossas ações - antes, durante ou depois de sua realização. Não há nada que tenhamos feito, estejamos fazendo ou que ainda faremos que Ele já não conheça. Em terceiro lugar, e talvez mais importante, porque Ele, a despeito de tudo que tenhamos feito, estamos fazendo ou venhamos a fazer, Ele nos ama incondicionalmente e nos perdoa a cada dia! E nada, absolutamente nada, irá mudar isso!

Enquanto nós olhamos aos outros e, de forma hipócrita, os julgamos prematuramente com base em um determinado fato, Jesus olha àqueles que julgamos - de mesma forma como olha para nós mesmos - com amor, com ternura e misericórdia; e poucos textos bíblicos demonstram melhor isso do que a passagem de João 8.2-11.

Nessa passagem, mestres lei e fariseus levaram diante de Jesus um mulher que foi surpreendida em adultério. De maneira vexatória, aqueles homens a expuseram e se prepararam para apredejá-la, em conformidade com a Lei mosaíca, mas, a fim de desafiar Jesus, perguntaram-no sobre como proceder. Por um tempo, o Senhor os ignorou, mas, visto que persistiam, disse-lhes “Sem algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra nela”. Depois disso, um a um, aqueles mestres da lei e fariseus saíram, até que somente sobraram Jesus e a mulher. Visto, portanto, que ninguém daqueles homens a condenou, Jesus disse: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado.”.

Meu irmão e minha irmã, muitas vezes nós, tal qual aos fariseus e mestres da passagem acima, tal qual Jameson, apontamos para alguém que desconfiamos, com base em uma interpretação tendenciosa de uma ação da parte dessa pessoa, e prontamente preparamos nossas pedras para castigá-la. No entanto, Jesus nos leva a, primeiro, olhar para nós mesmos, e perceber que nós, da mesma forma como aqueles que acusamos, somos pecadores - e não há pecado que seja maior ou menor do que outro. Mas o Senhor também nos ajuda a nos desfazer de nossos preconceitos, nosso cinismo para que possamos enxergar aos nossos réus da mesma forma como Ele os enxerga, assim como a nós mesmos: como seres humanos que, a despeito de suas contradições, sua complexidade, suas nuances, devem receber amor, perdão e graça da parte de Deus.

Portanto, antes de preparar suas pedras para atirar sumariamente sobre qualquer um cujas ações lhe causem ojeriza, pare, respire um momento e permita que Jesus sonde seu coração e te faça enxergar a quem você acusa através dos olhos d’Ele. Oro para que eu e você, antes de sequer pensarmos em tomar as pedras para atirar sobre outro, reconheçamos que todos nós somos igualmente pecadores e que, a partir disso, possamos buscar formas de fazer com que aqueles que acusamos sejam alcançados pela graça de Jesus, assim como nós mesmos fomos alcançados.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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