O amigo que se torna irmão
- Pedro Mendes
- 3 de nov. de 2024
- 3 min de leitura
Por sua natureza enquanto animal social, o ser humano sempre busca se acercar de seus semelhantes. Primeiro, por uma questão de sobrevivência, mas, em um nível mais profundo, para conforto emocional - aqui se situam os amigos. São a eles quem recorremos quando queremos conselho, queremos um ombro sobre o qual podemos chorar ou queremos companhia com quem podemos nos divertir. Não se espantar, portanto, que busquemos novos meios e formas de não somente sustentarmos esses laços, mas também criar novos. É precisamente nesse contexto, meu irmão e minha irmã, que surgem as redes sociais.
Sem dúvidas, as redes sociais simplificaram em muito o processo de preservar e estabelecer novas amizades - é tão simples, de fato, que se resume a meros cliques ou toques. Dessa forma, não é incomum encontrar pessoas que orgulhosamente declaram que tem centenas, milhares de amigos - amigos que sempre marcam as curtidas em suas postagens e que sempre compartilham os mais novos e virais memes.
Ora, meu irmão e minha irmã, em circunstâncias como essas, precisamos refletir se de fato é disso que se trata algo tão precioso, tão caro quanto uma amizade. É realmente como um artigo que podemos carregar e mostrar aos outros só para que nós sintamos melhor com nós mesmos? É realmente algo que se sustenta somente em curtidas e compartilhamentos? Se respondermos positivamente a essa indagação, então que diremos quando os “amigos” decidem deixar de nos “seguir” por causa de uma posição que tomamos em uma postagem o quando pararmos de receber curtidas ou compartilhamentos? Podemos de fato depositar algo tão sensível quanto nosso bem-estar emocional em algo tão frágil quanto as “amizades” das redes?
Ainda que tenham sido escritas há mais de dois mil anos atrás, as palavras do sábio, em Provérbios 18, versículo 24, possuem uma assombrosa aplicabilidade ao contexto das amizades das redes: “Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína…”. Ora, se de fato depositarmos nossa felicidade, nossas esperanças nas centenas ou milhares dos “amigos” que encontramos nas redes, estaremos muito vulneráveis a ansiedade, depressão, tristeza e sofrimento - sem dúvida, estaremos levando nossas vidas à ruína.
A fala do sábio, no entanto, segue: “mas existe amigo mais apegado que um irmão.”. Ainda que todas as “amizades” das redes se tornem inimizades, ainda que estejamos conduzindo nossas vidas à ruína, se estivermos atentos, veremos aquela mão que nos resgata e nos leva gentilmente para a luz: a mão daquele amigo querido, que sempre esteve ao nosso lado, mesmo que não o víssemos, mesmo que não dêssemos o devido valor. A mão daquele que na adversidade, na angústia se torna nosso irmão (Provérbios 17: 17).
Tenha certeza, meu irmão e minha irmã, Deus sempre coloca amigos como esses em nossas vidas, porque é através de laços como esses, de amizades genuínas, em que ele mais se faz presente: recorde-se de Jonas e Davi e dos personagens misteriosos de Cafarnaum que levaram o paralítico até Jesus, em Marcos 2 (versículos 1-12). E na amizade, que na adversidade se torna irmandade, que temos a expressão mais pura, mais límpida do Reino de Deus.
Tamanha, maravilhosa e surpreendente é a graça do Senhor, contudo, meu irmão e minha irmã, que até mesmo através das redes, Deus pode nos colocar as pessoas que transcenderam a amizade para a irmandade. Eu digo isso por experiência própria. Tão somente precisamos estar sensibilizados e firmados em Cristo que toda sabedoria e discernimento que precisamos para identificar esses poucos, em um mar de muitos, nos será concedida.
Eu oro para que você possa encontrar amigos que você possa chamar de irmãos e neles se apoiar, se alegrar e caminhar. Também oro para que você mesmo possa ser amigo que se torna irmão na adversidade. Que você possa expressar a glória e a graça de Deus na vida de seu amigo.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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