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O conhecimento é uma benção!

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 21 de ago. de 2024
  • 4 min de leitura

É bastante provável, meu irmão e minha irmã, que em alguém momento de sua vida você tenha se deparado com o ditado “a ignorância é uma benção” nos mais distintos e inusitados cenários. Talvez durante a infância, no contexto em que tentamos fazer uma descoberta que, de alguma forma, viole a inocência da infantilidade. Talvez já na vida adulta, quando adquirimos um determinado conhecimento que poderia nos levar a perder nossas esperanças em alguma crença que temos. Mas será mesmo que tal ditado, de fato, tem sustentação? Será que, de fato, é abençoador permanecer em uma condição de ignorância?

Na superfície, pode parecer que o próprio texto bíblico nos conduza a uma resposta positiva a essa pergunta: afinal, a queda da humanidade ocorreu porque a serpente tentou Eva e Adão precisamente com o fruto do conhecimento do bem e do mal. Perante a isso, seria razoável admitir que, para os humanos do Éden, “ignorância é uma benção”, certo?

Ocorre, meu irmão e minha irmã, que não devemos crer que “ignorância é uma benção” precisamente porque Deus não fez a humanidade para viver na ignorância. Ora, ainda que o Senhor tenda dado a expressa ordem de não comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, Ele nos concebeu à sua imagem e semelhança. E não é Deus quem detém conhecimento absoluto? Não é o Senhor o dono da mais elevada criatividade, capaz de erguer tudo um universo? Não é por acaso que Ele nós fez para dominar sobre as demais espécies: Ele nos deu a capacidade de pensar, raciocinar, refletir, acumular conhecimento e - a partir desse conhecimento - de criar. Portanto, que não haja dúvida, Deus nos fez para, como Ele próprio, termos conhecimento e sermos criativos.

Mais do que isso, porém, Deus estimulou (e ainda estimula) a humanidade a buscar por mais conhecimento, algo que fica patente pelas parábolas que Jesus propunha aos seus primeiros seguidores e discípulos - através delas, Ele os estimulava (e de fato ainda nos estimula) a pensar sobre a realidade ao seu redor, a questioná-la e buscar entedê-la de uma outra maneira, de tal forma que, eventualmente, pudessem aplicar o conhecimento obtido a partir de suas conclusões para provocar alguma mudança em sua realidade. Igualmente importante é a história de Salomão, em que o então jovem rei de Israel pede a Deus por sabedoria e discernimento para conduzir seu reinado e o Senhor, de muito bom grado, o abençoa com tamanha sabedoria que até reis estrangeiros com frequência o visitariam em busca de seus conselhos. 

Não é difícil perceber, pois, que o Senhor nos estimula e deseja que tenhamos mais conhecimento, dado que, com mais conhecimento, mais semelhantes nos tornamos a Ele mesmo e, com isso, maior agência conquistamos sobre nossa realidade; afinal, nosso Deus tem absoluta agência sobre todo universo, precisamente porque possui o absoluto conhecimento. Isso nos conduz a duas importantes consequência: pela capacidade de agência que nos dá sobre nossa realidade, nossas circunstâncias, o conhecimento é libertador. No entanto, precisamente porque nos imbui com uma capacidade tão extrordinária sobre nossas circunstâncias, o uso do conhecimento requer enorme responsabilidade.

O problema, no entanto, é que, com a queda, o conhecimento e a capacidade criativa, como tudo mais que seja utilizado pela humanidade, passaram a ser imperfeitos: o mesmo conhecimento de engenharia responsável pela construção dos carros, também é aquele responsável pela construção dos tanques de guerra. O mesmo conhecimento químico para a produção de remédios é também o responsável pela confecção de entorpecentes. O mesmo conhecimento que permitiu a humanidade a transmitir todo tipo de notícia de maneira instantânea é também responsável pela difusão das chamadas fake news. Até mesmo o conhecimento bíblico-teológico com toda sua valia, pode ser deturpado para justificar absurdos tão grandes quanto os massacres das inquisições e das cruzadas, do julgamento prematuro e preconceituoso de minorias que estariam fadadas a serem tragados ao inferno apenas por serem diferentes do que é considerado “normal” e “adequado”, dentre vários outros exemplos existentes.

Frente a isso, é necessário um parâmetro, um filtro, para que, precisamente, o conhecimento possa ser utilizado de maneira responsável; parâmetro que é claramente oferecido pelo apóstolo Paulo em sua carta 1Coríntios, capítulo 13, ao dizer que nenhum talento, tais como falar em línguas, profetizar, ou atitude, como ser altruísta, terá sentido se não for embasado no amor. Por extensão, podemos admitir que, por mais conhecimento que tenhámos, de nada valerá se não tiver como fundamento o amor - e o amor que vem de Cristo, através do Espírito Santo em nós. Somente com os olhos fitos, os ouvidos abertos e o coração direcionado à Jesus, nos permitindo sermos guiados por seu amor, seremos capazes de utilizar todo conhecimento a nosso dispor de maneira responsável, não somente para trazer libertação a nós mesmos, mas também para difundir esse conhecimento e espalhar essa liberdade a outros, de tal modo a avançar o Reino dos Céus aqui na terra.



Oro para que você não se conforme a viver em ignorância, se privando de conhecer mais, mas que você possa constantemente buscar conhecer mais, confiando todo seu conhecimento a Cristo para que Ele o direcione a utilizá-lo de maneira não somente a abençoar a você mesmo, mas a outros ao seu redor!


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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