O Deus que age no cotidiano
- Pedro Mendes
- 10 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Em determinados momentos, durante o transcorrer de nossos dias, o nosso Deus pode parecer para nós tão distante, não é? Como todas responsabilidades que temos e todos os compromissos que precisamos cumprir, por vezes pode se tornar muito difícil lembrar que, apesar de não estar presente fisicamente (ao menos, não da maneira como compreendemos isso), o nosso Deus, nosso Senhor está bem ao nosso lado, em nossas proximidades. As consequências desse esquecimento, todos nós sabemos bem: as tarefas diárias vem sobre nós como um tsunami devastador, que arrasta tudo em nossa vida. As preocupações começam a surgir e nosso humor começa a sair dos eixos. Quando nos damos conta, parece que não temos mais controle de nada.
Foi precisamente assim que me senti a pouco dias atrás, meu irmão e minha irmã. Considero que tenho uma vida devocional bastante assídua, mas mesmo assim, ao longo do dia, fica difícil de lembrar que o Senhor está próximo de mim. Ficou especialmente difícil de lembrar quando surgiu uma situação de trabalho complexa, por envolver muitas pessoas, muito dinheiro e ânimos já acalorados. Eu já havia feito tudo o que estava meu alcance; no entanto, ao fim e ao cabo, a resolução não estava sobre meu controle - envolveria a ação de outros.
Isso me gerou grande preocupação, impaciência e mau humor, me fazendo esbravejar de como os outros precisavam agir logo, porque o tempo estava correndo e as consequências se aproximavam. Me custou a me acalmar, algo que somente foi possível por causa da compreensão e da paciência de minhas companheiras de trabalho, mas me custou mais ainda engolir o meu orgulho para parar um momento e orar ao Senhor. Sabia o quanto precisava e sabia que deveria, mas eu não fazia e ficava inventando todo tipo de desculpa para isso - "não tenho tempo..."; "de que adianta...". Foi apenas depois de continuar insistindo até o limite numa tentativa de resolver a situação - de tentar de tudo e mais um pouco - que decidi orar.
Ao orar ao Senhor, levando a Ele as minhas preocupações, imediatamente a passagem sobre as preocupações da vida, uma das lições do monte, no Evangelho de Mateus, capítulo 5. Naquela oportunidade, Jesus fala especificamente das preocupações de alimentação e vestimenta e assegura os seus ouvintes de como o Pai irá, seguramente, providenciar tudo o que necessitam, se tão somente focarem no Reino dos céus.
Contudo, meu irmão e minha irmã, me custou aplicar essa passagem para o que eu estava passando. No nível de preocupação e mau humor que estava, eu estava com grandes dificuldades de perceber o valor dos dizeres de Jesus. Me senti como se fosse algo muito distante de mim, porque estava sendo incapaz de enxergar além da superfície da lição. Fundo, eu sentia e pensava: “Como que uma lição voltada para preocupação com comida e roupa poderia me ajudar nesse momento?”.
Eis então que me permitir estar em um momento de silêncio para apreciar com mais cuidado essa passagem que Deus colocou em meu coração. Logo percebi que estava impondo barreiras limitantes ao poder de Jesus: limitando a palavra d’Ele a uma passagem de um texto, dita em um contexto histórico-social específico, no qual as roupas e o alimento eram preocupações primoridais. Mas ainda que eu esteja fora desse contexto, essas palavras, assim como Aquele que as proferiu são vivas. E mais do que isso: nosso Senhor nos conhece profundamente e se interessa por tudo que somos - inclusive, por mais distante que isso por vezes possa parecer, pelo nosso trabalho. Nosso Deus, não é qualquer deus. É um Deus amoroso, que se importa e que também é técnico. E por ser técnico, pode atuar de maneira maravilhosa mesmo na mais específica e complexa das situações de nossas profissões.
Foi neste momento que me veio outro versículo em mente: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam (...)” (Rm 8.28). Com isso, meus olhos se abriram e todo aquele peso das preocupações e do mau humor foram se dissipando. Por mais que eu não tivesse controle sobre aquela situação no trabalho e isso me frustrasse profundamente, eu não precisaria me preocupar, porque eu fui, sou e serei, assegurado por um Deus que não apenas é técnico sobre todos os tipos de saberes do mundo (e muito além do mundo), mas que me ama e que, em todas as coisas, vai agir para o meu bem. Eu não sabia exatamente como, e mesmo agora ainda não sei bem, mas tinha (e tenho) a segurança de que de alguma forma Deus irá agir nessa situação para que venha o melhor desfecho possível.
Meu irmão e minha irmã, não irei mentir para você. No dia seguinte, voltei com as preocupações do dia anterior. A situação ainda não havia sido totalmente resolvida, embora já tivesse melhores indícios de sua resolução do que antes. Mas fiz o possível para me agarrar àquilo que Deus colocou em meu coração no dia anterior e descansar no que Ele me assegurou.
Reconheço que se recordar de que Deus está conosco e de que podemos recorrer a Ele quando surge uma situação que nos desafia é uma batalha diária e que não é nada simples, mas não se esqueça - e digo para você como digo para mim mesmo neste momento: Jesus está ao nosso lado, se oferecendo para tirar de nós os fardos das preocupações e das responsabilidades, para que possamos não somente viver uma vida leve, mas uma vida que leve adiante o reino dos céus a este mundo de trevas.
Oro para que todos nós nos lembremos de jamais limitar a ação de nosso Deus a um ambiente (igreja), a um momento específico (devocional) ou a um contexto histórico-social específico (descrito na bíblia), mas que possamos confiar que Ele nos conhece e se importa conosco - e tudo que fazemos - profundamente e que Ele seguramente atuará em nosso favor, mesmo que não entendamos nem enxerguemos como.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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