O ninho da vida
- Pedro Mendes
- 26 de mai. de 2024
- 4 min de leitura
Mesmo que eu esteja no caminho de Cristo por pouco tempo, sei, através do relato de diversos irmãos e irmãs com quem já tive contato, que não se trata de um percurso simples. Muito pelo contrário, na realidade - é repleto de obstáculos e armadilhas. De tantas adversidades, no entanto, uma delas se destaca entre as demais: a idolatria.
Prática recorrente relatada ao longo dos escritos da Bíblia, presente desde os tempos do livro de Gênesis, a idolatria se configura quando temos um alvo de adoração e devoção diferente do que o Nosso Senhor. Não se resume simplesmente às adorações dedicadas a estátuas e monumentos, contudo. Timothy Keller, em seu livro “Deuses Falsos”, mostra como a idolatria possui enorme variedade e pode assumir assombrosa profundidade em nossas vidas: perpassando por profissões, conquistas, hábitos e até mesmo por relações amorosas.
O grande perigo da idolatria, meu irmão e minha irmã, reside exatamente nas implicações da nossa devoção aos nossos ídolos, em contraposição à adoração ao Senhor. Nesse sentido, o livro de Ezequiel, em seu capítulo 17, oferece uma parábola pertinente: “[...] Uma grande águia, com asas poderosas, penas longas e basta plumagem de cores variadas veio ao Líbano. Apoderando-se do alto de um cedro, arrancou o seu broto mais alto [...] Depois apanhou um pouco de sementes da sua terra e as pôs em solo fértil. Ela as plantou como um salgueiro junto a muito água e elas brotaram e formaram uma videira baixa e copada. Seus ramos se voltaram para águia, mas as suas raízes permaneceram debaixo da videira. A videira desenvolveu-se e cobriu-se de ramos, brotos e folhas. Mas havia outra águia grande com asas poderosas e rica plumagem. A videira lançou suas raízes na direção dessa águia… e estendeu seus ramos para ela em busca de água. Ora, ela havia sido plantada em terreno bom, junto a muita água, onde produziria ramos, daria fruto e se tornaria uma videira viçosa.[...] Ela vingará? Não será desarraigada e seus frutos não serão arrancados dela para que ela seque? Tudo o que brotar dela secará. Não serão precisos nem braços fortes nem muitas pessoas para arrancá-la pelas raízes.” (Eze., 17: 3-9).
Ora, meu irmão e minha irmã, a primeira grande águia é a representação de Deus e a pequena videira somos nós. Por Nosso Senhor somos colocados nas circunstâncias ideias para que possamos crescer e nos desenvolver de maneira ideal, mesmo que nossa natureza, nossos valores e princípios mais fundamentais, nossas raízes, permaneçam no mundo. É pela compaixão d’Ele por nós, portanto, que, de maneira imerecida, somos presenteados com o “terreno mais fértil”. Diante de tamanho amor e tantas bençãos, levamos nossas mãos aos céus, em direção a Deus, em um gesto de adoração e gratidão.
Contudo, uma segunda águia, isto é, um ídolo, com aparência irresistivelmente sedutora, surge não apenas para tomar o lugar de Nosso Senhor como alvo de nossas adorações, mas também para nos tirar do terreno fértil no qual havíamos sido colocados para crescermos. Com isso, sem percebermos, passamos a moldar nossos valores e princípios em função de nossos ídolos e gradualmente nos tornamos tão dependentes dos ídolos que passamos a buscar neles nossa razão de viver. Em outras palavras, meu irmão e minha irmã, entregamos nossa vida e tudo o que somos nas mãos de nossos ídolos, de tal maneira que nossa vida passa a não ter sentido se não estivermos adorando, nos dedicando, nos entregando intensamente aos ídolos. No fim de tudo, porém, ao invés de nos conduzir ao avivamento pelo qual tanto buscamos, a idolatria nos consumirá inteiramente, nos tornando vulneráveis, fracos, "ressecados", eventualmente nos levando à morte - espiritual certamente, mas também, em alguns casos, até mesmo física.
Meu irmão e minha irmã, nenhum de nós, está imune a ser seduzido pelas “segundas águias” que sobrevoam por nossas vidas, nem das consequências que ceder a essa sedução terá em nós. Da mesma forma, todavia, todos nós temos acesso à solução definitiva para a idolatria - e essa solução se apresentada também em Ezequiel, 17: “Assim diz o Soberano, o Senhor: Eu mesmo apanharei um broto bem do alto de um cedro e o plantarei; arrancarei um renovo tenro de seus ramos mais altos e o plantarei num monte alto e imponente… ele produzirá galhos e dará fruto e se tornará um cedro viçoso. Pássaros de todo tipo se aninharão nele; encontrarão abrigo à sombra de seus galhos.” (Eze., 17: 22-23).
Esse cedro, plantado por Deus no mais alto e imponente monte, que cresce saudável e forte, é Jesus Cristo, ao passo que os pássaros de todos os tipos somos nós, em nossa diversidade. Portanto, meu irmão e minha irmã, basta tão somente que quando formos tentados, seduzidos perseguir nossas “segundas águias”, busquemos nos “aninhar” sobre as sombras de Cristo, n’Ele depositando todas nossas esperanças e nossa vida, porque n’Ele estaremos seguros, n'Ele estaremos abrigados!
Que você possa hoje tomar a decisão de depositar suas esperanças e sua vida n’Aquele que é o único que pode te oferecer avivamento, segurança e amor, o "ninho da vida": Jesus Cristo!
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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