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O primeiro ano do resto da minha vida

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 4 de ago. de 2024
  • 6 min de leitura

Quando estamos em uma viagem de carro ou mesmo em uma caminhada é sempre importante estarmos atentos aos marcos de distância, pois através deles podemos saber quanto já trilhamos e quanto ainda falta para chegarmos ao nosso destino final. É pensando nisso, meu irmão e minha irmã, que meu objetivo nesta ocasião é refletir sobre o marco de um ano do dia em que me converti, aceitei Jesus como Salvador e Senhor da minha vida.

Pela maior parte da minha vida, eu vivi sem fé alguma, mas não só isso - tinha completa ojeriza à ideia do divino, de que havia um deus, qualquer deus, no comando de tudo o que existe. Para mim, o protagonista de minha vida era eu e mais ninguém. Então, quando uma amiga abordou-me para falar de Jesus pela primeira vez, eu me dispus a ouvir, mas fui rápido em recusar o convite. “Não tenho interesse nisso”, eu disse. Ao menos, no entanto, também falei: “Mas não me fecho completamente a possibilidade de, em algum dia, eu explorar isso.”. De todo modo, aquele ainda não era o momento.

Ocorre, meu irmão e minha irmã, é que, ironicamente, por mais que eu negasse a existência de Deus, Ele, naquele momento - muito antes disso, de fato - já estava agindo em minha vida para que eu eventualmente o conhecesse e trilhasse seus caminhos. Levou alguns meses desde aquela interação que havia tido com minha amiga, mas, enfim, tomei a primeira decisão que tão logo me levaria à minha conversão: decidi, sem muito compromisso, ler a Bíblia. 

Essa decisão, no entanto, não foi espontânea - era, na realidade, um meio para atingir um objetivo, que era me aproximar mais da amiga que havia pregado a mim para que, eventualmente, eu pudesse namorá-la. Havia sido uma decisão tomada de maneira pouco pensada e desesperada, “porque”, pensava eu, “já tentei de tudo para chegar mais perto dela e conquistá-la e nada funciona. Isso [ler a Bíblia] é tudo que me resta.”.

Porque eu havia iniciado a leitura da Bíblia por conta própria, sem a inteção de me aprofundar muito, sem querer entender tanto como ler e por onde começar, iniciei, por lógica cronológica, pelo livro de Gênesis. Lia sem muito compromisso e dedicação, como leria livros de ficção, apenas uma forma de passar o tempo. De todo modo, no entanto, mesmo com uma leitura superficial, começaram a me surgir dúvidas e um desejo de saber mais. Claro que, em parte, esse desejo pelo saber tinha origem na minha vontade de se aproximar mais de minha amiga, que era para quem eu mais direcionava minhas dúvidas nesses momentos iniciais, mas também creio - olhando em retrospectiva - que outra parte disso, era Deus me impulsionando para conhecer mais sobre Ele.

Eis então que, em um dado dia, minha amiga me indicou uma Igreja, tendo como críterios a proximidade de onde moro, mas principalmente o fato de que possuía Escola Bíblica Dominical, na qual eu não somente teria a oportunidade de conhecer novas pessoas, mas também poderia contar com um acompanhamento mais próximo e mais preparado para esclarecer dúvidas e me orientar na leitura da Bíblia.

No entanto, por causa de preconceitos e medos que eu havia alimentado com relação a Igrejas, sobretudo reforçadas por um contexto no país em que religião cristã e figuras a ela associada defendiam e adotavam - e seguem defendendo, de fato - posicionamentos controversos sobre as mais diversas questões da sociedade, somada à minha dificuldade em me arriscar a conhecer e interagir com novas pessoas, levei algo em torno de duas semanas desde a indicação de minha amiga para que, enfim, decidisse ir para a Igreja sugerida por ela.

Lembro-me de que, quando cheguei, me senti bastante confuso e, como de costume, tímido. Fiquei, por um tempo, quieto, apenas observando o fluxo de pessoas chegando, cumprimentado umas às outras, até que, pensei, “Se ficar quieto, esperando, não vou conseguir muito. Melhor é eu tentar pedir ajuda a alguém e entender como tudo isso funciona.” e assim eu o fiz. Tão logo fui direcionado a um dos pastores da Igreja que me recebeu de maneira extremamente calorosa e carinhosa, me fazendo sentir bem-vindo de uma maneira que jamais havia sentido antes. Depois disso, antes, durante e após o culto, vários irmãos e irmãs vieram para me abraçar, me dizer o quanto era bom que eu estava ali e para me oferecer todo apoio para iniciar essa caminhada. Por fim, mas não menos importante, a pregação foi conduzida de tal forma que quebrou todos os temores e preconceitos que tinha de Igrejas e me mostrou que aquela caminhada a qual eu estava prestes a iniciar valia muito mais a pena do que eu poderia imaginar. Se quebrava, assim, minha primeira barreira à aceitação da caminhada de Cristo.

Após o culto, recordo-me do quanto eu havia ficado não só aliviado, mas muito feliz com minha experiência e empolgado - queria cair de cabeça naquele novo mundo que estava começando a explorar. No entanto, mesmo depois de tudo aquilo, eu ainda não havia tomado a decisão mais importante: a de aceitar Jesus como Senhor e Salvador da minha vida. Por isso, pouco depois que terminei o culto e de maneira animada empolgada fui contar para minha amiga sobre as minhas experiências e desejos, ela se ofereceu a fazer a oração de conversão, mas ao mesmo tempo me alertou sobre a responsabilidade e as implicações dessa oração. Então, percebendo a gravidade da decisão que eu estava me propondo a tomar, decidi que era melhor esperar mais, entender mais sobre esse caminho que estava começando a trilhar antes de me comprometer de todo a ele.

Horas depois, minha amiga compartilhou o link do culto da Igreja dela e eu, em parte pela empolgação que estava em conhecer mais da Palavra, mas, devo admitir, muito mais pela oportunidade de vê-la novamente pelo vídeo da transmissão, prontamente me conectei para assitir. Mal sabia eu que aquele momento, aquele culto online, seria muito, mas muito mais do que uma oportunidade para poder rever minha amiga. Ainda carrego a memória vívida daquele dia: o pastor pregava com base na passagem de Mateus 14:22-33, no momento em que os discípulos velejam na noite e Pedro anda pelas águas. Naquele momento, instado pelo convite do pastor a, como Pedro, clamar ao Senhor para que salvasse-me, eu dei início a minha caminhada cristã, declarando o nome de Jesus e pedindo para que me salvasse.

Depois dessas experiências, não demorou muito para que eu percebesse que essa jornada que eu estava adentrando, era muito mais do que simplesmente um meio para que eu conseguisse namorar uma menina; ainda não sabia muito bem sobre o que era, mas já havia percebido que era sobre algo muito maior e com um efeito que eu jamais poderia conceber em minha vida. Tão logo, portanto, aquele que era meu objetivo principal, a razão pela qual tive meu primeiro contato com o cristianismo, já não ocupava mais uma posição central; mais importante passou a ser conhecer mais desse Deus que até então era completamente misterioso para mim. No final, ainda que infelizmente eu não tenha atigindo meu objetivo inicial, o de namorar com minha amiga, eu consegui algo muito mais valioso: conhecer o amor de Jesus e começar a trilhar Seu caminho.

Hoje, um ano depois de tudo isso, olho para trás e vejo, com muita felicidade, tudo o que Deus fez na minha vida, na forma de novas e valiosas amizades, amizades que foram aprofundadas, novas experiências, situações em igual proporção desafiadoras, mas edificantes, um renovo sobre áreas de minha vida que já pensava não ter nada mais que valia a pena, as formas maravilhosas como Deus vem usando minha vida para edificar outros e o quanto que, através da ação do Espírito Santo eu cresci e me desenvolvi como pessoa; o melhor de tudo, porém, é que isso é apenas o começo. Ainda tenho muito mais a aprender e conhecer de Deus, ter novas e maravilhosas experiências, conhecer ainda mais pessoas, passar por muitas outras situações edificantes e receber muito mais renovo em muitas outras áreas de minha vida. Ora, se Deus já fez tanto em um ano, quanto mais Ele poderá ainda fazer nos anos que virão? Eu sequer consigo imaginar, mas eu estou certo de que há muitas maravilhas no horizonte.

Oro, meu irmão e minha irmã, para que você possa seguir firme em sua caminhada, sempre se recordando dos marcos de sua trajetória até o momento atual, lembrando-se do quanto Deus já fez em sua vida, e portando a certeza de que, não obstante o ponto em que você esteja de sua caminhada, Ele ainda tem muito mais preparado para você!


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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2 comentários


vanessaferreiramattos
06 de ago. de 2024

Uau!!! 😃

Muito bom, Pedro!

Continue firme na caminhada com Cristo, porque vale a pena!

Obrigada por compartilhar conosco as suas experiências com Deus através dos textos maravilhosos que você escreve...

Deus é contigo!

😇🙌🏼🙏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼


Um grande abraço!


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vanessaferreiramattos
06 de ago. de 2024
Respondendo a

O nosso Deus continuará fazendo o inimaginavel sobre sua vida! 😃

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JOÃO 13;34-35

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso, todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros."

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