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Olhe para a Cruz!

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 20 de abr. de 2025
  • 4 min de leitura

Não há dúvidas de que cada um de nós enfrenta alguma sorte de dificuldade em nossos dias - isso é comum a todos nós. O que difere, no entanto, é a forma com a qual cada um de nós reage a esses obstáculos: a nossa tendência, lamentavelmente, é de reagir negativamente, com raiva, com muita reclamação até mesmo para os problemas que poderiam parecer, aos olhos da maioria, como ordinários.

Imagine-se, por exemplo, em um transporte público lotado voltando de seu local de trabalho para sua casa. É natural que haja muito contato e, talvez, até mesmo empurrões. Ora, podemos aceitar a inexorabilidade de situação - não há como evitar contato - seguir o curso e centralizar o foco no alívio de estar voltando para casa, depois de um dia de trabalho. Podemos, por outro lado, escolher nutrir a raiva por aquela situação incômoda, murmurando em nossas incessantemente em nossas mentes, nos esquecendo completamente de qualquer feliz acontecimento ocorrido durante o dia ou da alegria de estar voltando para a casa. 

Há na Bíblia diversos exemplos de situações semelhantes ao que foi descrito acima, ainda que, claro, em contextos completamente diferentes. Uma dessas situações é descrita em Números 21, quando o povo de Israel, liderado por Moisés, segue sua peregrinação rumo a Terra Prometida, enquanto caminhavam pelo Mar Vermelho, a fim de contornar a terra de Edom.  Naquele momento, como frequentemente ocorria desde a partida do Egito, o povo pôs-se a reclamar contra Deus e contra Moíses: “Por que vocês nos tiraram do Egito para morrermos no deserto? Não há pão! Não há água! Já estamos fartos desta comida miserável” (Nm 21.5). 

Diferentemente de outras ocasiões, no entanto, algo terrível afligiria o povo: surgiram serpentes venenosas que lhes mordiam os calcanhares e muitos morreram (Nm 21.6). Eis então que os de Israel, arrependendo-se de seus murmúrios contra o Senhor e contra Moisés, clamam ao profeta para que intercedesse por eles junto a Deus para que cessasse seu sofrimento (Nm 21.7). Assim fez Moisés e pelo Senhor foi instruído: “Faça uma serpente e coloque-a no alto de um poste; quem for mordido e olhar para ela viverá.” (Nm 21.8) e de fato, conforme a palavra do Senhor, todo aquele que era mordido, mas que olhava para a serpente de bronze no poste (ou na cruz) viveu (Nm 21.9).

Na ocasião descrita na passagem, o povo de Israel elegeu a reclamação frente ao desafio de cruzar o deserto rumo à Terra Prometida e rapidamente colheu os frutos das sementes podres que havia plantado: as serpentes peçonhentas surgiram e lhes morderam os calcanhares. Assim também ocorre com cada um de nós, meu irmão e minha irmã, no nosso cotidiano, quando, diante de um desafio, optamos pelo múrmurio - as serpentes surgem para nos abocanherem e espalharem, no âmago de nosso ser o mais letal dos venenos: a raiva, a fúria cega e irracional. Um veneno mortal não somente para nós mesmos, mas que se espalha pelos ares e infecta tudo e todos ao nosso redor. 

No entanto, meu irmão e minha irmã, na medida em que - assim como havia feito o povo de Israel - nos arrependemos, nossos olhos se abrem para a Cruz, a Cruz de nosso Senhor e Salvador, a Cruz daquele que a milênios atrás derramou seu sangue para aqueles que já partiram, para nós que vivemos no presente e para os muitos outros que ainda virão: Jesus Cristo. Ele, porém, não era meramente uma serpente de bronze que tão somente impedia a morte dos corpos físicos, mas sim alguém que traz um avivamento muito mais profundo: o avivamento da alma, do espírito! O avivamento, meu irmão e minha irmã, que muda o nosso foco das incômodas situações pela qual passamos para a esperança da vida eterna em comunhão com nosso Deus. Um avivamento que é tão intenso, ademais, que, gradual, mas consistentemente, impacta a tudo e todos que estão a nossa volta.

Portanto, meu irmão e minha irmã, saiba que, ao nosso redor, as serpentes sempre estarão à espreita, para que, caso elejamos reclamar, nos abocanhar e nos envenenar com a fúria cega, que leva a morte (física e espiritual). Ao mesmo tempo, contudo, também sempre estará ao alcance dos nossos olhos, se escolhermos nos humilhar e nos arrepender, a Cruz, para que possamos não somente nos curar do veneno mortal, mas para que possamos, pelo amor de Deus, sermos salvos e ajudar a salvar a outros.

Podemos, enfim, diante dos desafios da vida, escolher nutrir raiva e a fúria em nós, trazendo, inadvertidamente, uma morte lenta e cruel ao nosso espírito e até, eventualmente, ao nosso próprios corpos. Ou podemos, alternativamente, optar por nos arrepender e olharmos para a Cruz, que nos limpa do pior que temos em nós e nos dá a esperança de que, depois de todo o suor, de todas as lágrimas, de todo esforço dedicado para caminhar por este mundo, seremos transportados de volta à casa da qual jamais deveríamos ter saído: a “casa” onde habita nosso Deus.


Oro para que mesmo em meio das múltiplas dificuldades e distrações do cotidiano, eu e você não cedamos a tentação de murmurar, mas sim para que direcionemos nosso foco para a Cruz, com um coração quebrantado, a fim de que sejamos vivificados pela esperança da vida eterna e que possamos, também, vivificar a outros.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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