Os olhos fitos no alvo
- Pedro Mendes
- 29 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Em todo tipo de corrida, em especial para aquelas de longa distância, o mental é tão - ou até mais - importante do que o físico. O atleta precisa estar fisicamente bem-treinado, com stamina e músculos fortalecidos, mas também precisa de sua mente firmemente focada em seu objetivo central - concluir a corrida - para superar os diversos e inevitáveis obstáculos que surgem ao longo do trajeto. Em corridas de longa distância, mesmo com o mais elevado grau de preparação, as dores e o cansaço fatalmente virão, acompanhados de problemas exógenos ao corredor, como trajetos acidentados, depressões, aclives, dentre muitas outras possibilidades. Perante a tantos dificuldades, existem duas atitudes centrais: o atleta pode concentrar seu foco nos obstáculos e se permitir, com isso, minar toda sua capacidade de concluir a corrida ou, alternativamente, pode manter fixa sua mente em seu objetivo e persistir, mesmo que em condições não ideais, para o triunfo.
Assim também ocorre com a vida em geral. A cada dia de nossas vidas, encontramos toda sorte de obstáculo e diante deles, temos a opção de encontrar formas de resistí-los e seguir adiante ou de nos paralisarmos e sucumbirmos a eles - é precisamente isso, infelizmente, que tem sido tão frequente na sociedade contemporânea: nos deixamos ser engolidos por todo tipo de dificuldade, de dor, de sofrimento, o que, por vezes, nos leva a quadros de depressão ou ainda, em casos mais extremos, a concluir que a única resposta para acabar com a agonia é tirando a própria vida.
Meu irmão e minha irmã, não há dúvida de que o sofrimento é uma parte inerente do viver; ora, tanto é assim que nosso próprio Senhor, Jesus Cristo, nos deixou a seguinte mensagem, registrada no evangelho de João, capítulo 16, versículo 33 (NVI): “(...) neste mundo vocês terão aflições…”. No entanto, jamais devemos permitir que a inevitabilidade de atravessar por uma tormenta se sobreponha ao nosso desejo de viver. Naturalmente, o dizer ou o escrever - neste caso - é muito mais simples do que por em prática - quando nos encontramos no olho do furacão de nossos problemas, é um trabalho hercúleo por si encontrar o fôlego para respirar, quanto mais conseguir observar além da catástrofe. Ainda assim, por mais difícil, por mais doloroso que venha a ser, somos detentores da escolha de olhar além, para algo que tenha valor para nós ou, ao menos, para a possibilidade do amanhã - afinal, da mesma forma que há certeza no sofrimento, há também a certeza de experiências boas, não obstante sua escassez ou pouca frequência.
Viver jamais pode se igualar a sofrer. O sofrimento é meramente uma possibilidade, que, aliás, provavelmente é a forma mais precisa de definir o viver: possibilidade, do bom, do mau, uma incerteza constante, da mesma maneira como é completamente incerto a performance que teremos em uma corrida - mesmo em um trajeto que previamente tenhamos tido um excelente desempenho. Em ambos os casos, existe fatores que podemos (em alguma medida) controlar e outros que são totalmente inalcançáveis para nós. Em contextos como esses, por mais que a incerteza seja inerente e inevitável, nós temos uma certeza: podemos escolher no que queremos manter o foco - nos muitos motivos que nos fazem querem desistir ou naquele objetivo que, uma vez atingindo, nem sequer conseguimos conceber o quanto supera qualquer dor, qualquer sofrimento.
Não há alvo que melhor sintetize isso, meu irmão e minha irmã, do que a promessa deixada por nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo: a comunhão eterna com Ele, no Reino dos Céus. Por isso, que todos possamos prosseguir em nossas vidas, conforme as palavras deixadas pelo autor da carta aos Hebreus (NVI): “(...) corramos com perseverança a corrida proposta para nós, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé…” (Hb. 12:1-2).
Minha oração é para que você guarde com carinho as palavras do autor da carta aos Hebreus e que você se mantenha aberto e atento às possibilidades que a vida apresenta, principalmente às boas.
Amém!
Pedro Costa Mendes.

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