“Pequenas Revoluções”
- Pedro Mendes
- 24 de abr. de 2024
- 4 min de leitura
Por muito tempo, vivi a minha vida de modo acomodado, fazendo, na maior parte das vezes, ajustes marginais à minha rotina, meus hábitos e passatempos. Nas poucas vezes em que fiz mudanças mais significativas, o fazia dentro de parâmetros muito bem delimitados, sempre de maneira a manter ao máximo o meu próprio conforto.
Eis aqui alguns exemplos: costumava passar a maior parte do meu tempo dentro de casa, limitando minhas interações à minha família, somente interagindo com outros em locais onde eu era obrigado a frequentar, como escola e faculdade. Aos poucos, contudo, me permiti sair mais com os meus amigos, mas sempre impunha limitações: eu somente os acompanharia se fosse em um local de onde eu poderia facilmente retornar para a minha casa e pelo tempo que eu achasse ser adequado.
Sempre que saía para comer fora de casa, me limitava a pedir pratos com os quais já estava a muito tempo habituado, raramente buscando experimentar algo novo. Quando muito, eu testava um novo prato uma vez, mas mesmo que gostasse, dificilmente iria incluí-lo no meu cardápio diário, tão somente recorrendo a ele como um último recurso, em que não pudesse escolher um prato com o qual já estivesse acostumado.
Passei a praticar algumas atividades físicas como musculação, Jiu-Jitsu e natação, mas eu somente as frequentava na medida em que eu estivesse com vontade e que não atrapalhasse os meus estudos. Além disso, para mim as atividades eram fins em si mesmas - com isso, minha motivação para fazer novos amigos ou simplesmente interagir com outras pessoas era mínima. Meu maior desejo durante essas atividades era cumprir o horário e rapidamente voltar para casa.
Meu irmão e minha irmã, todos os três exemplos acima servem para ilustrar um traço que foi (e em alguma medida ainda é) muito marcante em minha vida: um enorme medo de me aprofundar em qualquer coisa que desafiasse minha “zona de conforto” de alguma forma. De maneira curiosa e irônica, no entanto, o que eu mais queria era precisamente sair da minha “zona de conforto”. Eu ansiava por algo que trouxesse refresco ao meu cotidiano; algo que fosse “revolucionário” na minha vida. Em suma, uma mudança radical.
E que mudança poderia ser essa, meu irmão e minha irmã? Uma viagem no exterior? Morar sozinho? Ter uma namorada e eventualmente casar e ter uma família? Todas essas e várias outras foram opções pelas quais eu desejava quando eu queria romper com o status quo da minha vida. Havia, contudo, um enorme problema, meu irmão e minha irmã: nenhuma dessas opções chegaria à mim da noite para o dia - ou demandavam planejamento cuidadoso e alguma outra sorte de esforço que me desafiava de alguma maneira. Com isso, tão logo eu tomava consciência dos inúmeros desafios de implementar essas mudanças que eu me desmotivava e desistia.
Dessa maneira, meu irmão e minha irmã, eu me acorrentei a um ciclo vicioso, em que eu me mantinha em uma situação de acomodação, da qual logo me sentia insatisfeito, ansiava por uma mudança radical, mas assim que percebesse as dificuldades de levar à frente a mudança, desistiria e prontamente retornaria à minha “zona de conforto”, buscando nas margens algo que renovasse minha satisfação na acomodação, até que o ciclo se reiniciasse.
Tudo isso mudou, no entanto, quando passei a trilhar o caminho de Cristo. Mas que não haja dúvida: o próprio ato de aceitar a Jesus como meu Senhor e Salvador foi um enorme desafio para mim. Por muito tempo em minha vida eu andei com o coração endurecido, com grande dificuldade e resistência para acreditar na existência de um Deus. A partir do momento da minha conversão, contudo, minha vida mudou de tal maneira que, gradualmente, meu irmão e minha irmã, eu cheguei a uma conclusão: eu finalmente havia encontrado uma resposta aos meus anseios de mudar a minha vida! Era essa, meu irmão e minha irmã, a mudança radical pela qual eu tanto procurava!
A partir daí, já não mais precisaria ansiar por outras mudanças de efeito em minha vida, nem precisaria me preocupar com os obstáculos e o tamanho do esforço que teria de depositar para atingi-las, porque agora eu conto com um Deus que me guiará, será meu apoio para planejar os grandes passos e minha rocha para me sustentar se eu desanimar.
Mas mais do que isso, meu irmão e minha irmã, Deus me ensinou algo ainda mais valioso: que eu posso me permitir desfrutar da minha “zona de conforto”, além de valorizá-la, mas jamais me acomodar, conforme diz a Palavra, em Romanos, 12:2: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade Deus.”.
Isso, no entanto, não implica que Deus sempre demandará de nós grandes mudanças que desafiem fundamentalmente nossas “zonas de confortos”, mas antes disso, Ele colocará requererá que nos implementos mudanças menores ou, como gosto de dizer, “pequenas revoluções”, que nada mais são do que mudanças que (ao menos inicialmente) pareçam pequenas em escopo, mas que desafiam o status quo de nossas vidas.
Pessoalmente, eu posso exemplificar algumas “pequenas revoluções” como: estar mais disposto a experimentar novos pratos e implementá-los em meu cardápio diário, ainda que minha pré-concepção deles seja negativa (aliás, principalmente esses); me permitir conhecer um pouco melhor as pessoas nos diferentes locais que frequento; e se dispor a acompanhar os amigos mesmo a lugares mais distantes e pelo máximo de tempo possível.
Por menores que possam parecer essas mudanças, meu irmão e minha irmã, isso não as fez para mim nem um pouco mais fáceis de implementar. No entanto, o Senhor tem me dado a coragem e a determinação para sair vitorioso desses pequenos desafios e, através dessas vitórias, tem me abençoado imensamente.
Por isso, meu irmão e minha irmã, que jamais nos acomodemos, para que não nos deixemos “amoldar aos padrões do mundo”. Que sempre estejamos dispostos “a transformar-se pela renovação de sua mente”, nos desafiando a implementar principalmente as menores mudanças, a fazer “pequenas revoluções”, pois é na medida em que elas são acumuladas que nos tornaremos “capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade Deus.”.
Que Deus te abençoe hoje e sempre e te dê toda coragem para vencer seus desafios!
Pedro Costa Mendes.

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