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Relacionamento sem barreiras

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 13 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Para muitas atividades ou ocupações, a humanidade, ao longo de sua história, impôs - e segue impondo - algum tipo de restrição. Essas restrições atravessam desde nossos corpos, nossa capacidade cognitiva, nossas origens. “Você não pode ser jogador de futebol. É muito magro e muito baixo!”. “Você quer ser um ator? Já se olhou no espelho?”. “Não tem como você ser engenheiro! Precisaria ser muito mais inteligente do que você é!”. “Quer ser advogado? Saindo do berço de onde você nasceu? Não tem a menor chance…”. Tais são meramente alguns exemplos que mostram o quanto a nossa tendência é de limitar o acesso a toda sorte de ocupação, quase sempre com a finalidade de reguardar um status quo que é fatalmente favorável àqueles que já estão do lado dentro.

Com efeito, durante a vigência da Lei mosaíca, esse quadro de imposição de restrições perpassou, por muito o relacionamento do povo de Deus com o próprio Deus. Nesse contexto, as condições estabelecidas atravessavam desde o nascimento a até mesmo as vestimentas, o estado do corpo e o local para adoração (Ex 40.12-13) - Apenas levitas, que estivessem lavados, ungidos, trajados com as vestes sacerdotais e com acesso ao Santo dos Santos no Tabernáculo poderiam se apresentar perante a Deus para a expiação de pecados do povo. Dessa maneira, era evidente que aqueles com o direito assegurado pela Lei de interagir com Deus estavam em número extremamente limitado - tornava-se um grupo ainda mais restrito, ademais, conforme o povo de Israel foi estabelecendo suas próprias interpretações a partir da Lei e adicionando suas próprias regras.

Mais chocante, contudo, é que nos dias atuais, muito depois do fim dos tempos da lei, ainda há muitas pretensas Igrejas, pretensos crentes e pretensos pastores que buscam estabelecer suas normas para quem tem o direito de adorar e se relacionar com Deus. “Você é divorciado? Então não tem direito de ser parte do povo de Deus.”. “Você é homossexual ou transsexual? Então não tem direito de ser parte do povo de Deus.”. “Você é partidário ou simpatizante de partidos de esquerda? Então não tem direito de ser parte do povo de Deus.”. Com efeito, o tabernáculo, as vestes e o líquido para unção são substituídos pelo conservadorismo moral, a intolerância política e o fundamentalismo religioso.

Meu irmão e minha irmã, há somente um adjetivo para caracterizar pessoas que buscam erguer qualquer sorte de barreira entre qualquer um que esteja aberto e sedento por Jesus: fariseu. Pela graça e sacríficio de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, o véu que limitava o acesso a Deus aos sacerdotes levitas foi rasgado e, a partir disso, todo aquele que cre recebe o Espírito Santo, com o qual, mediante a fé, pode se comunicar livremente com nosso Deus. Não se trata, portanto, de ser “mais ou menos” crente, de orar mais, de ser (ou parecer ser) mais “santo” do que os outros, de ser “bem casado”. Não se trata de nada disso! Se trata, sim, da graça de nosso Senhor Jesus, que mediante o derramamento de seu sangue, nos conectou, para sempre, a Ele e ao Pai - basta tão somente depositarmos nossa fé n’Ele e o aceitarmos como nosso único e suficiente Senhor e Salvador.

Ao nosso Senhor não interessa um adorador um que se apresenta religiosamente a um templo de culto quatro ou mais vezes por semana, ou que conta aos outros como nunca peca ou, ainda, que busca conservar a “santidade” de seu local de culto afastando os “impuros”. O que realmente interessa ao nosso Senhor, independe de qualquer imposição de natureza humana - Ele quer aqueles que adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23-24). Aqueles que adoram no âmago de seu ser, de maneira sincera, independemente de sua aparência, seu passado, sua raça, suas crenças, sua sexualidade ou qualquer outra característica.


Oro para que não busquemos impor restrições sobre qualquer um por o que quer seja, especialmente se tratando do nosso relacionamento com Nosso Deus.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso, todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros."

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