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Rompendo o ciclo de ódio e erguendo o ciclo de amor

  • Foto do escritor: Pedro Mendes
    Pedro Mendes
  • 4 de fev. de 2024
  • 4 min de leitura

Ao longo de nossas vidas conhecemos todo o tipo de pessoa: algumas com pensamentos e trejeitos parecidos com os nossos e outras completamente diferentes de nós. Nós, talvez por uma questão de conforto (ou quem sabe até mesmo, em um nível mais instintivo, por sobrevivência?), tendemos a nos associar e formar grupos com aqueles que são mais parecidos conosco, ao passo que nos afastamos daqueles de quem somos diferentes - sociologicamente, inclusive, existe uma teoria que pode justificar essa tendência, que é a teoria da identidade social, na qual se propõe que indivíduos, no decorrer de seu processo de socialização, são conduzidos a buscar grupos sociais que melhor se alinham com sua identidade, o que ajuda a reforçar e a desenvolver essa identidade.

Ademais, na mesma medida em que nós mesmos reforçamos nossas identidades ao compormos um grupo, nós também reforçamos a identidade do grupo como um todo, o que contribui para uma maior diferenciação de nosso grupo com relação a outros grupos, algo que não somente pode reforçar nosso afastamento aqueles que são diferentes de nós, mas que também pode nos levar a julgá-los a partir de nossas próprias perspectivas e valores e, a partir desses julgamentos, lhes atribuir características negativas tão somente para elevar a nós mesmos, em uma busca de, em última instância, reforçar nossa própria identidade.

Meu querido irmão e minha querida irmã, é precisamente com relação a esses fortes e atraentes impulsos “intra-grupais” que nós, enquanto cristãos devemos ser extremamente cuidadosos - quanto mais no contexto em que estamos vivendo. Atualmente, é fácil perceber divisões na sociedade em que são formados grupos diametral e passionalmente opostos uns aos outros, para os quais o diálogo sequer é uma opção e que o ódio mútuo acaba sendo o principal (em alguns casos, até mesmo o único) pilar que sustenta a identidade desses respectivos grupos. Possivelmente o campo em que essas divisões ficam mais claras é o da política; contudo, meu irmão e minha irmã, não se engane: infelizmente, até mesmo a religião Cristã vem sendo vítima desse ciclo de ódio e ausência de diálogo.

Meu irmão e minha irmã, se por vezes temos a necessidade de julgar e expulsar de nossas Igrejas aqueles que estão vestidos de forma diferente do que consideramos adequado, aqueles que tem conduta diferentes daquela que consideramos correta ou ainda aqueles que tecem críticas sobre algo que consideramos sagrado, não estaríamos nós agindo mais à semelhança dos fariseus, do que de Jesus e seus apóstolos? Ora, que faziam os fariseus senão utilizar um conjunto de valores fundamental a um nível identitário e exclusivo ao seu círculo para julgar e menosprezar os que agiam diferente de suas expectativas em uma tentativa a engrandecerem a si mesmos?

Ironicamente, no entanto, quando um grupo, ao julgar e menosprezar outro, projeta seus próprios valores em outro grupo, esse segundo grupo tende a reforçar ainda mais as atitudes contrárias ao primeiro grupo, o que, por sua vez, reforça o ciclo de ódio mútuo; é precisamente isso que o apóstolo Paulo, na carta de Romanos, termina por alertar, ao comentar sobre o uso e os efeitos da Lei, que era tão preciosa e evocada pelos fariseus para repreender a Jesus e seus discípulos: “Que diremos então? A Lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça se a Lei não dissesse: ‘Não cobiçarás’. Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo desejo cobiço. Pois sem a Lei, o pecado está morto.” (Romanos 7:7-8). 

Em outras palavras, a Lei, o próprio instrumento através do qual os fariseus julgavam àqueles que lhes contrariavam, reforçava precisamente a existência daquilo que mais odiavam, que era o pecado, o que por sua vez reforçava a necessidade da Lei e esse ciclo persistiria de forma interminável não fosse a chegada e sacrifício de Jesus Cristo, nosso Senhor, que nos deixou tantos legados inestimavelmente valiosos.

Jesus nos ensinou que, ao invés de nos enclausuramos em nossos próprios grupos e nos afastar e rejeitar ao diferente, devemos, na realidade nos permitir a entendê-los e abraçá-los. Ora, será que não foi precisamente por essa razão que Jesus reuniu discípulos que antes de seguí-lo pertenciam a grupos sociais completamente distintos e completamente opostos uns aos outros? Será que não foi por essa razão que Jesus nos ensinou sobre a metáfora do bom samaritano (Lucas 10:25-37)?

Jesus nos ensinou que, ao invés de odiar, devemos amar. Portanto, meu irmã e minha irmã, o pilar que sustenta a nossa identidade enquanto cristãos, jamais pode o nosso ódio com relação a outros grupos sociais que não agem da forma com a qual nos pensamos ser correta, mas sim deve ser o amor, pois como Jesus mesmo disse: “O meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros como eu os amei.” (João 15:12) - e é através desse amor que devemos reconhecidos.

Sem dúvida alguma, nós, enquanto cristãos temos valores, crenças e condutas que nos diferenciam dos demais grupos sociais; mas isso nos torna superiores do qualquer outro grupo ou pessoa não-cristã? De maneira nenhuma! Ora, se Jesus, nosso Senhor, desceu dos Céus à Terra em prol de nós, se humilhou em prol de nós e nos serviu, quanto mais humildes e mais dedicados a servir nós devemos buscar ser!

Em suma, meu irmão e minha irmã, a forma com a qual, nós, enquanto cristãos, somos e seremos diferentes de outros grupos sociais, mas nós jamais devemos tentar nos engrandecer perante aos outros e desprezá-los porque pensamos ter uma melhor conduta ou melhores valores, mas antes devemos ter humildade, devemos buscar nos aproximar e entender os outros, amando-os assim como nosso Senhor nos ama e servir a eles assim como nosso Senhor nós serviu. Devemos romper de uma vez com todos o ciclo de ódio e erguer em seu lugar um ciclo de amor.


Que a paz de Deus esteja com você e que você possa amar ao seu próximo assim como nosso Deus nos ama.


Amém!


Pedro Costa Mendes.


 
 
 

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JOÃO 13;34-35

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso, todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros."

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